Semana De Cinema – Whiplash
por Ragner
em 30/01/15

Nota:

download

Sinceramente fiquei impressionado como alguns atores são capazes de dar vida a certos conceitos. Whiplash é, sem dúvida, um filme que representa, de forma viceral, algumas emoções e sentimentos. O filme é intenso no que podemos entender sobre o que somos capazes de fazer para atingir nossos objetivos e intenso também é a percepção do que podemos associar a limite e extremo.

As interpretações são fantásticas. Podemos acompanhar bem atentos cada atitude de dois únicos personagens e tudo é tão bom que Whiplash é quase somente sobre eles. O filme é quase sobre o estudante de bateria Andrew Neimann (Miles Teller) que suporta e endeusa as ações e postura do mestre Terence Fletcher (JK Simmons). Digo que a presença viceral de Fletcher foi o que me fez gostar mais do filme. Mas gostei demais exatamente por se tratar de um filme. É possível que há alguém tão brutal assim? Acredito veementemente. Mas gostar de alguém assim na vida real, seria ultrapassar qualquer limite do que se possa falar sobre masoquismo.

 

whip3

 

Neimann é um estudante metódico, decora todas as partituras, todos os apontamentos, escalas, anotações e compassos, até que um dia cai no olhar frio e ouvido absurdamente absoluto do mestre Fletcher, que o escolhe para fazer parte de sua banda que faz apresentações em nome da escola. Antes de tudo, a primeira cena já dita o tom do filme (particularmente gosto muito disso). Neimann está treinando algumas passadas em uma isolada sala de estudo quando do nada surge Fletcher. Um mostra toda sua presença e superioridade enquanto fala e dá patada, enquanto o outro se submete aos pedidos do mestre da melhor escola de música do país. O final também constrói outra cena emblemática, quando os olhos de ambos se cruzam e nada mais precisa ser dito, só contemplado.

Whiplash não é exatamente um filme musical. É sobre música, mas não tem nada a ver com aquelas produções onde se ouve música o tempo todo ou até mesmo os atores estão entoando letras ritmadas. O papo aqui é outro, podemos absorver momentos virtuosos sobre o Jazz. Claro que na grande maioria das vezes em que o som passeia pela música, o que está ocorrendo são treinos, mas mesmo as interrupções quase ininterruptas de Fletcher, não tiram aquele gosto de se escutar algo muito bom.

O filme ainda trata de questões pessoais, de como traumas passados podem ser usados para nos molestar e como a busca pela perfeição pode ser um energético capaz de suportar qualquer obstáculo. Seja ele qual for. Tem tanta gente que reclama do outro que não gostou do seu corte de cabelo e que se inferioriza, se rebaixa acreditando que talvez não seja digno da atenção alheia, mas o mundo ai é bem mais brutal do que imaginamos e só nossa garra para enfrentar os empecilhos e pessoas que nos cobram demais, é que nos capacita para vencer. E vencer vale o sacrifício.

Não há outra combinação de palavras mais nociva do que “bom trabalho”

Postado em: Semana de Cinema
Tags:

Nenhum comentário em “Semana De Cinema – Whiplash”


 

Comentar