Resenha – A Árvore Vermelha
por Ragner
em 05/12/14

Nota:

a arvore vermelha

 

Resenhar livros infantis não é exatamente algo que fazemos muito. A semana das crianças pode ter sido o único momento em que escrevemos sobre tal literatura, mas venho me deparando com livrinhos que podem, honrosamente, merecer lugar no Poderoso. Já tenho alguns outros em mente para escrever sobre aqui, e hoje dedicarei um pouco de minhas concepções filosóficas a esse A Árvore Vermelha. Conheci esse pequenino livro em uma escola que trabalho e depois de folheá-lo, me encantei com o enredo e os desenhos que exploram demais certas condições imaginativas que vagueiam pela mente da criança que conta uma história.

A Árvore Vermelha é um livreto que pode ser lido em menos de 10 minutos, tem apenas 32 páginas, com ilustrações de página inteira e uma narrativa que é contada por frases distribuídas em páginas duplas ou mesmo únicas. A primeira vez que “li” o livro, foquei mesmo em apenas visualizar os desenhos e depois fui lendo o que estava escrito sem respeitar a sequência lógica, mas depois reli seguindo página a página. É identificado como literatura infantojuvenil, as crianças gostam de levar para casa, mas indico profundamente a adultos também.

 

arvore-vermelha

 

Sem “era uma vez”, a historinha começa com o amanhecer de uma garotinha ruivinha que declara um dia sem nada de interessante e que tudo vai de mal a pior (como milhões de nós fazemos às segundas feiras), reclamando que tudo é escuro, ninguém entende o que acontece com a gente, que o mundo não nos escuta, não tem sentido e mesmo razão, que as vezes a gente espera e espera e espera por algo, mesmo andando em círculos, ou fazendo sempre as mesmas coisas ou seguindo sem rumo, e nada acontece, nunca. Até que de repente todos os problemas desabam de vez e nós não percebemos tudo de fantástico e maravilhoso que acontece ao nosso lado. Coisas ruins são inevitáveis, não sabemos como agir, ou reagir, perto dos outros, nem ao menos como deveríamos ser, onde estamos e nosso dia parece ser direcionado a terminar como começou, sem esperança ou algo de bom, mas ai é que está a magia, de repente lá está ela, bem na nossa frente, luminosa e viva, esperando tranquila, exatamente como você havia imaginado, a árvore vermelha, linda, graciosa, deixando o dia melhor, mais vivo, mesmo que no seu final.

 

images

 

Todas as páginas ilustradas invocam, em sua grandiosidade, situações, momentos e condições que efetivam uma reflexão de sobre a vida, o mundo, nós mesmos, nossa humanidade e como tudo pode ser pior do que imaginamos, mesmo quando nem é tão péssimo assim. Podemos entender a história como algo que acontece durante um dia, mas também é possível ter o entendimento de que tudo poderia demonstrar como é uma vida inteira.

A Árvore Vermelha é um livro para os pequenos, mas o pessoal grande poderia muito bem aproveitar a oportunidade para se libertar de certas certezas e usufruir de uma análise diferenciada de como a vida não é tão diferente para todos… Leiam.

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