Resenha – A festa de Babette
por Patricia
em 11/11/13

Nota:

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Martine e Philippa são irmãs idosas e moram juntas em um isolado vilarejo norueguês. Filhas de um ardoroso religioso protestante, elas vivem uma vida de renúncias: tudo o que é mundano (amor, prazeres e etc) não tem valor. É uma vida restrita, sem emoção. O conto vai nos apresentando as irmãs aos poucos e nos mostra como a influência de seu pai as fechou no mundo religioso.Cada uma deles teve admiradores mas nunca levaram nada disso a sério.

Um belo dia, uma francesa chega à porta das irmãs com uma carta de recomendação de um ex cantor de Ópera que, uma vez, tentou aproximar-se de Philippa. Babette teve a vida destruída por uma França em guerra civil – seu marido e filho foram fuzilados e ela chegou perto de ter o mesmo destino mas conseguiu fugir. Ela pede abrigo para as irmãs em troca de trabalho e foi aceita como criada. Logo, no entanto, ela descobriu o que significava uma vida austera: nada de luxo e comida simples, já que o contrário era considerado pecado.

Babette morou com as irmãs por 12 anos. No 12o ano, algo inesperado aconteceu: Babette ganhou na loteria! Quando perceberam que o dinheiro poderia significar a partida da criada, as irmãs o chamaram de blasfêmia. Aliás, todo o vilarejo tão centrado na religião não conseguia evitar os sentimentos mundanos de egoísmo, rancor, inveja e etc. De fato, ao invés de sentirem-se felizes por Babette, entristeceram-se por serem deixados.

Mas Babette tinha um desejo: ela queria apresentar o vilarejo para a verdadeira cozinha francesa com sua receitas suntuosas e diferente de tudo aquilo que o povoado conhecia. Com alguma reticência, as irmãs aceitaram o banquete. E QUE banquete Babette preparou – digno de grandes chefs e aproveitando o melhor da cozinha francesa (que, na minha experiência, limita-se a fondue de chocolate).

Com esse banquete, Babette mexeu, ainda que de leve, com o status quo do vilarejo – ainda que por um breve momento.

Quero comentar sobre a ótima edição da Cosac Naify Portátil. Acontece de muitas editoras não trabalharem muito nas edições de bolso porque essas edições tendem mesmo a serem mais limitadas. Não acredito que isso seja aplicável à Cosac. A edição portátil deles é uma delícia.

A escrita da autora é leve, funcional e prende. Ela tem um ótimo poder de descrição e envolve o leitor por ser extremamente sensível. O conto é muito bem estruturado e foi uma ótima introdução a Blixen (que eu não conhecia). Livro para se ler em uma tarde e descansar a cabeça tranquilamente enquanto a gente imagina o banquete todo.

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1 Comentário em “Resenha – A festa de Babette”


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Luciana Farias em 10.12.2015 às 07:54 Responder

Oi Galera do resumão!!!! Só pra deixar uma dica aí na resenha da festa de Babette….a origem do fondue é suiço, tá? ; )

bj!


 

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