Resenha – A grande jogada
por Bruno Lisboa
em 18/06/18

Nota:

 

Para quem não conhece Molly Bloom: ela ganhou manchetes de jornais após ser presa devido a sua relação a um jogo de pôquer clandestino, onde magnatas e celebridades gastavam milhares (às vezes milhões). Como ela era a organizadora da mesa, o FBI seguiu as pistas deixadas pela ré e a colocou atrás das grades numa operação que resultou em diversas outras prisões. E para contar a história da chamada  “princesa do pôquer” temos este A grande jogada.

Escrito pela própria, o livro traz à tona a história da protagonista, partindo de sua infância. Filha de um pai exigente, Bloom (assim como o seu irmão, Jeremy) deveria lutar diariamente em ser a melhor em tudo. Enquanto Jeremy seguia conquistando o mundo como o melhor esquiador norte-americano, Molly não sabia o que fazer. Após muito peregrinar sem rumo, ela partiu para Los Angeles e lá conheceu Darin Feinstein, magnata que coordenava o jogo mais disputado da cidade. Após conviver semanalmente e aprender os trâmites da organização do jogo, Bloom começou a gerenciar as próprias partidas que se tornariam as mais disputadas da cidade. Se antes Molly não tinha uma vocação, agora ela havia se encontrado. E em grande estilo graças ao seu carisma e beleza.

Nas suas rodadas clandestinas, que geralmente ocorriam em hotéis luxuosos, milhares de dólares eram dispostos em fichas e atraiam a atenção não só de ricos empresários, mas também de celebridades do mundo do cinema. Tobey Maguire, Leonardo DiCaprio e Ben Afleck eram algumas das personalidades que apareciam toda a semana. Nesse sentido, um fator interessante é a abordagem usada por Bloom, pois além de não omitir nomes ela revelou muito sobre a personalidade das pessoas. A partir do livro descobrimos, por exemplo, que Maguire é um grande egocêntrico.

Se há um porém a respeito da obra é que por mais que o estilo de escrita seja objetivo, a autora joga luz sob aspectos que por vezes soam repetitivos ou dão vazão a fatos que pouco acrescentam à narrativa. Afinal, repetir a torto e a direto termos técnicos mais enfeitam do que acrescentam, principalmente a leigos como eu. Seu trabalho voluntário num hospital de crianças com câncer, por mais nobre que seja a atividade, pouco acrescenta também.

E é por isso que a adaptação de Aaron Sorkin para o cinema tem resultados mais satisfatórios, pois o diretor e roteirista opta por um olhar mais simples, distribuindo melhor as ações que imprimem um bom ritmo ao filme. Sorkin também aborda outros aspectos cruciais, como as cenas em que ela conversa com o seu advogado e com o seu pai, ajudam a compreender mais a situação vivida por ela, preenchendo lacunas que pouco aparecem no livro.

Por fim, A grande jogada é um dos raros exemplos onde o filme é melhor que o livro. Vale a leitura, mas deixa a agridoce sensação de que poderia ser melhor.

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O livro foi enviado pela editora.

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