Resenha – A história de amor de Fernando e Isaura
por Juliana Costa Cunha
em 28/03/18

Nota:

 

 

Ariano Suassuna nasceu em João Pessoa, capital da Paraíba, nordeste brasileiro, em 1927, vindo a falecer em 2014 aos 87 anos. Em 1930 perdeu seu pai, assassinado na Revolução de 30 no Rio de Janeiro. Tal fato teve lugar de destaque no impulso criador do autor de O Auto da Compadecida (1955), talvez seu mais conhecido romance.

Posso dizer que, como escritor, eu sou, de certa forma, aquele mesmo menino que, perdendo o pai assassinado no dia 9 de outubro de 1930, passou o resto da vida tentando protestar contra sua morte através do que faço e do que escrevo, oferecendo-lhe esta precária compensação e, ao mesmo tempo, buscando recuperar sua imagem, através da lembrança, dos depoimentos dos outros, das palavras que o pai deixou.

O autor veio morar em Recife, capital Pernambucana, em 1942, se formando em Ciências Jurídicas e sociais em 1950 pela Faculdade de Direito de Recife. Foi lá que conheceu Hermilo Borba Filho e fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco, escrevendo sua primeira peça “Uma Mulher Vestida de Sol” (1948).

Ariano teve uma carreira extensa e marcada por diversas obras literárias e teatrais. Além disso, foi o fundador do Movimento Armorial que tem o objetivo de criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste brasileiro.

Essa pequena introdução é importante para situar aquelas pessoas que não conhecem a obra do autor e nem seus fundamentos. Assim sendo, vale dizer que A história de amor de Fernando e Isaura surgiu a partir de uma sugestão do artista plástico Francisco Brennand à Ariano Suassuna para que o mesmo escrevesse uma versão brasileira do “Romance de Tristão e Isolda”.

Ao longo das páginas deste livro conhecemos Fernando e Isaura, e também Marcos. Este último tem Fernando como seu sobrinho tendo criado ele depois da morte de seus pais. Isaura é a moça que Marcos conhece em determinada viagem de trabalho e pede a mão dela em casamento, sendo o contrato ajustado pelos pais da moça. No dia combinado para o casamento de Marcos e Isaura, ocorre um imprevisto de trabalho e quem vai ao encontro da moça é Fernando, orientado por Marcos para casar com ela através de procuração e leva-la a ele.

Está acontecendo uma festa na cidade no dia em que Fernando chega. Ele e Isaura se encontram. Fernando se apaixona perdidamente pela moça sem saber que ela é a prometida de seu tio. Ela, por sua vez, já o conhece de outro momento no qual já havia se apaixonado por ele, também perdidamente. E daí dá-se todo o drama da história. Quem conhecer a historia de Tristão e Isolda vai saber o desenrolar da história de Fernando e Isaura. Porém, vai encontrar aqui muitas referências à cultura popular nordestina.

Com a palavra, Ariano Suassuna: “a história é narrada em 1956, sua ação decorre em ano ainda mais recuado. Por isso encarem com indulgência os arcaicos escrúpulos de seus personagens, perdoando remorsos e hesitações que, menos do que a eles, pertencem ao coautor contemporâneo de obra tão antiga”.

Ariano tinha o dom da escrita e esta é uma obra bem tranquila de ler. Porém, é provável que seja uma literatura que fala mais alto a nós Nordestinas/os dada a proximidade com o tema.

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