Resenha – A imensidão íntima dos carneiros
por Juliana Costa Cunha
em 02/03/20

Nota:

A imensidão íntima dos carneiros escrito por Marcelo Maluf, foi ganhador do Prêmio SP de Literatura na categoria autor estreante. E também foi finalista dos Prêmios Jabuti e do APCA.

Marcelo inicia seu livro nos dizendo: “o medo estava no princípio de tudo”. E assim temos um primeiro capítulo dos mais lindos que já li até hoje. Ao longo desse capítulo e do livro, vamos entendendo que estamos diante de uma autoficção, na qual o autor vai rememorando a história de sua família, na tentativa de se localizar nela, entender essa genealogia familiar em parentescos e também em seus medos. É uma busca por seu passado para ressignificar seu futuro.

Para isso Marcelo vai narrando essa história misturando fatos reais com ficção. Sonho com realidade. Traz pra perto o seu avô Assad, que veio para o Brasil ainda criança fugindo do Líbano em meio à guerra contra os Turcos. Assad, nesta fuga, carregava consigo um segredo. E este segredo foi o fio condutor de toda história familiar no Brasil. Marcelo, seu neto e autor do livro, vai em busca desse medo para expurgá-lo de sua vida.

No A imensidão íntima dos carneiros a família é o centro da história e estão nela as tradições familiares e o apego à terra natal como nação, mesmo tendo imigrado para o Brasil há tantos anos. Esse foco nas relações familiares e todo seu peso na vida de cada indivíduo que a compõe, me fez lembrar muito de Raduan Nassar e o seu incrível Lavoura Arcaica.

Aqui também temos uma personagem específica sufocada por essas tradições, por essa história de fuga, pela perda da terra natal, por todos os segredos de antepassados e pela religião, numa busca individual por reinvenção, transformação e redenção.

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