Resenha – A Maldição Do Silêncio
por Ragner
em 13/02/15

Nota:

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Sabe quando uma história está atrelada a uma lembrança? Pois então, tudo que é contado vai sendo logo mais a frente determinada como ato passado e o protagonista apresenta tudo como recordação. A Maldição Do Silêncio é exatamente assim, pois antes da metade o personagem principal vai modificando a própria fala e já vamos sabendo como é seu presente, pois tudo dito até ali são reminiscências importantes para o entendimento da história.

Gosto de enredos assim, me agrada conhecer bem o passado de algum personagem e compreender melhor o presente de alguém que é fundamental na narrativa contada. Muitas vezes tudo vai acontecendo como se fosse naquele momento e quando as dimensões temporais são bem trabalhadas, o enredo ganham uma bela construção e no caso desse livro, o autor conseguiu em poucas páginas, escrever uma boa história.

Ricardo Almeida Mascarenhas é um garoto de classe média (alta) que está de férias na casa da avó, em Pedra Alta. Sua avó era bem conhecida na cidadezinha, claro, a família tinha um sobrenome importante, e de vez em quando fazia algumas visitas à algumas pessoas mais carentes. Ricardo conheceu João em uma dessas visitas e uma grande amizade nasceu dai. João tinha leucemia, Ricardo desconhecia completamente a doença, mas os dois ficavam muito tempo juntos, como amigos que gostam da companhia um do outro e que brincavam o máximo possível de acordo com as limitações impostas pela diferença de classe social, doença e até mesmo família. Mesmo o irmão débil mental de João – Branco – não atrapalhava, muito…

Com o tempo, com o ano passando e com as indas e vindas de Ricardo entre São Paulo e Pedra Alta, as visitas à João vão passando de simples jogos de carta e dama para contação da vida agitada na cidade grande e campeonatos de Judô. A doença vai se agravando e a espera pela morte se intensificando, já que cada visita podia ser a última. E Ricardo vai se lembrando de cada detalhe, de como queria que seu amigo se recuperasse e como aquilo era injusto, o doente, mas ativo iria morrer, enquanto o retardado ainda poderia viver muitos e muitos anos.

A autora até deixa seus personagens um pouco mais adultos, pois já com 13 anos Ricardo está fumando e alguns pensamentos não parecem reservados para adolescentes com essa idade, mas fatos a mais ou a menos, a história segue de boa, tranquila, como uma leitura sem grandes alardes ou pretensões e até quando uma situação que identifica o nome do livro, não é trabalhada, passa de um simples acontecimento sem maior importância. É no final que a grande sacada acontece, pena que acaba por ali mesmo. Mas é uma leitura legal, vale algumas horinhas, já que nem 100 páginas possui e como dica de leitura é sempre bem vinda…Valeu Lindona Raphaela Reis.

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