Resenha – A Mocinha Do Mercado Central
por Ragner
em 03/08/17

Nota:

 

Morar em Beagá e não conhecer o Mercado Central é quase que um sacrilégio. Assumo que vou bem pouco lá, poderia passear mais pelos corredores e me perder entre as várias “barracas” de produtos mineiros/artesanais, mas isso é um processo que faço vez ou outra. Ir ao Mercado Central é algo interessantíssimo para mim, porém é um costume que ocorre quando estou de férias ou com vontade – tempo – de conhecer mais sobre um dos nossos pontos turísticos essenciais.

Acredito veementemente que lá é um dos lugares com mais histórias e casos sobre nossa grande cidade do interior. Posso dizer que o belo-horizontino tem paixão pelo seu Mercado Central (há também outros, como o Mercado Novo e o Mercado Distrital do Cruzeiro) e lá ele encontra de tudo, desde lojas de ração até empórios com produtos nacionais e importados, desde cafeterias e padarias até bares e restaurantes com deliciosa comida mineira e entre um comércio e outro, damos de cara ou esbarramos em lojas de suplementação ou com produtos orientais. Vale demais a pena conhecer.

Dito isso tudo, vamos ao mais importante no momento, que é esse pequeno livro premiado. A mocinha do Mercado Central é uma obra de ficção que poderia muito bem contar as histórias de qualquer moça que entre uma desventura e outra, nos revela muito sobre sua vida. Aqui temos Maria Campos, só Maria Campos de nome e sobrenome, filha de Bernadina Campos e de pai desconhecido e que descobriu que seu nome Maria significava “a escolhida”.

O significado de seu nome (e o de outros que passa a usar em cada lugar que visita) ela descobriu por causa da amizade com Valentina Vitória Mendes Teixeira – Valentina significa forte e Vitória, vencedora. Com o passar dos dias e de tanta conversa com a amiga, Maria decide viver ao máximo da vida que tinha e para isso sairia de Dores do Indaiá e viajaria de cidade em cidade para ter experiências e conhecer mais do mundo, usando nomes de acordo com o que melhor lhe atendia em cada ocasião. E de principio se chamaria Zoraida que significa mulher cativante e sedutora.

 

E Maria foi arquitetando a ideia de se chamar de outros nomes, muitos nomes, no intento de ser muitas pessoas, outras pessoas, de viver muitas vidas, de ter todas as experiências que lhe fossem dadas neste mundo velho de água chamado Terra.

 

A história é contada de cidade em cidade, narrando as aventuras da moça chamada Maria, que a cada mudança e experiência, ora trabalhando em restaurante, ora como enfermeira, ora como atendente de loja, troca de nome (na verdade acrescenta nomes) até chegar em Belo Horizonte, onde nossa moça procura o Mercado Central. Contudo suas andanças não param e por mais cidades ela passa. Maria conheceu Brasília, São Francisco, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São João Del Rey até voltar para Dores de Indaiá e contar tudo o que viveu para sua mãe.

O livro é curtinho, dá para ser lido em um dia, mas digo que não me entusiasmei como imaginaria. Talvez por me sentir mais envolvido por outro tipo de literatura. Fato é que essa pequena história foi premiada em 2012 e isso me chamou a atenção, além do fato do título também me interessar. Quanto à arte, é importante dizer que os desenhos se concentram mais nos personagens, sem destaque para lugares. Acredito que isso poderia ter deixado o livro mais chamativo e até interessante, o que no passar das páginas ficou a desejar.

Fica como dica de leitura para uma tarde despretensiosa.

 

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