Resenha – A ocupação
por Bruno Lisboa
em 13/05/20

Nota:

Julián Fuks responde pelo cargo de ser um dos melhores autores contemporâneos. Um argentino de coração brasileiro, Fuks prima por uma literatura que encontra, a partir das palavras, beleza e conforto ante ao caos da contemporaneidade urbana. Se na sua obra anterior, o pungente “A resistência” (já resenhado aqui por duas vezes), o autor já havia mostrado predicados à que veio em “A ocupação” temos a sua consagração.

Lançado em 2019 pelo Companhia das Letras, “A ocupação” é fruto de um período conturbado na vida do autor que encarou dificuldades em três linhas de frente simultâneas: o trabalho, a família e o casamento. E a partir do período dificultoso, Fuks fez do seu alter-ego (Sebastián) um instrumento para suas reflexões, num exercício poético em prol da vida.

Composta por capítulos curtos, a narrativa, como dito anteriormente, é dividida em três linhas narrativas. A primeira, e a principal, diz respeito ao período em que Julián, a convite de um coletivo artístico, conviveu por meses com moradores de uma ocupação no Hotel Cambrige, locação abandonada no centro de São Paulo. A segunda aborda o período em que o seu pai foi hospitalizado, ficando entre a vida e a morte. E a terceira fala sobre as dificuldades da relação conjugal e a tentativa de ter um filho.

A mentoria de Mia Couto, celebrado escritor de Moçambique, se faz presente de um olhar subjetivo do autor que observam com carinho a vida dos desafortunados, mas traça, a partir daí, um no olhar político social pontual ao Brasil contemporâneo, que se esfalece com crescimento recrudescente da pobreza e a falta de políticas públicas aos necessitados.

Mesmo ante a uma enorme diferença quanto a sua condição social e dos moradores, é na falência humana que Fuks encontra abrigo a partir da visualização da solidariedade na prática, para ter força para lidar suas lutas pessoais e encontrar sentido a vida.

Com o mundo a ruir, seja de forma interna ou externa, Julián consegue, a partir da autoficção, traduzir (de forma simples e mordaz) o Brasil cujo quotidiano nos sufoca diariamente, mas que vê no exercício da empatia como cura para dor.

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O livro foi enviado pela editora.

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