Resenha – A pirâmide vermelha
por Patricia
em 21/09/12

Nota:

Ahh!! Rick Riordan! Há alguns anos atrás uma nova série me viciou – Percy Jackson e os Olimpianos (que sempre considerei uma mistura de Harry Potter com mitologia – duas das minhas coisas preferidas). Puro amor. Li os sete livros da série em menos de um mês.

Muito se fala sobre literatura jovem e os mimimis habituais de que “não tem qualidade” e “desde Harry Potter nada mais é bom”. Eu concordo que o padrão estabelecido por J.K Rowling realmente é alto. E definitivamente, nem todos os livros lançados para um público jovem tem a qualidade das histórias que ela criou para o jovem bruxo. Ainda assim, conheço pessoas que gostam mais de Percy Jackson do que de Harry Potter. No fundo, se esses livros afetarem os jovens como me afetaram aos 14 anos, tudo certo. Pode publicar. (Menos Crepúsculo. Crepúsculo NÃO!)

Depois do sucesso de Percy Jackson, Rick Riordan nos apresenta “As crônicas dos Kane”. O estilo, formato, fórmula são os mesmos. Só que agora ao invés de seres mitológicos estamos tratando de Deuses Egípcios (weeeeeeeee).

Os Kane são Carter e Sadie, dois irmãos que perderam a mãe muito cedo e foram criados separados. Sadie cresceu uma criança normal morando com seus avós em Londres e Carter cresceu seguindo o pai em suas escavações mundo afora – seu pai era um egiptólogo (que deve ser um dos empregos mais sensacionais do mundo). Esse é um ponto importante da história porque Riordan já mostra que tem um espaço grande para desenvolvimento dos personagens. Sadie só vê seu pai duas vezes por ano e quando finalmente ele aparece para vê-la, os irmãos testemunham o desaparecimento do pai de uma forma bem bizarra.

Vão morar com seu tio – Amos (que é um belo tonto) – e começam a aprender mais sobre suas origens e descobrem que seus pais foram magos poderosos que lutavam contra os Deuses Egípcios – que são do mal (o que é interessante, se pararmos para pensar que cada Deus cuidava de uma coisa – dos gatos, do sol, da terra, do mar e etc. Alguns queriam poder e outros queriam só cuidar de suas vidas. É invevitável quando se tem tantos Deuses que algum deles acabe tramando para derrubar os demais. Me pergunto se é por isso que hoje temos apenas um…mas eu divago…).

A premissa não é original, mas Riordan consegue transformar algo simples em uma história eletrizante. Em uma noite, li 80 páginas sem nem perceber. A leitura flui bem e cada capítulo vai acrescentando componentes e personagens estranhos que deixam a leitura mais divertida. (Por exemplo, um jacaré albino que adora bacon ou um babuíno que só come coisas que terminem com a letra o).

Os capítulos vão se alternando entre a visão de Carter e a visão de Sadie que precisam, agora, aprender a dominar poderes que eles nem sabiam que tinham para evitarem uma catástrofe porque o pai deles libertou cinco Deuses da Pedra de Roseta que precisam ser detidos porque um deles em particular – Set – quer liberar um caos completo na América do Norte e, possivelmente, no mundo.

Aos poucos, vamos conhecendo mais sobre a história egípcia, Deuses secundários, seus poderes, aprendemos mais sobre os magos e quais são seus reais poderes. É muito interessante como Riordan incorpora na história esses Deuses menores enquanto ensina mais sobre cada um. Mais ainda, como ele incorpora a História na história (eu realmente espero que vocês tenham entendido essa porque demorei dois dias para bolar) e dá vida não apenas a entidade mitológicas como também amplia o enredo de pouco em pouco.

O melhor é que, apesar do tom sobrenatural que o enredo pode tomar, Riordan criou Deuses com características humanas e muitas vezes engraçadas o que pode tornar a leitura muito mais agradável do que ler sobre seres perfeitos o tempo todo. O livro tem ação o suficiente para te mandar interessado e curioso o tempo todo e vai revelando aos poucos a trama total.

Sadie e Carter são obrigados a amadurecer mais rápido e a tomarem conta um do outro, desenvolvendo um senso de família que eles não tinham antes. A forma como isso é descrito por Riordan pode não ser original mas é inteligente e se adapta bem à trama.

A minha única ressalva é um erro bem crasso: “Com seu último encantamento, me prendeu-me à serpente.” Tenso. Mas foi o único que encontrei no livro todo.

Fora isso, a Intrínseca fez um ótimo trabalho com a edição mantendo a capa original e a qualidade é indiscutível. Se você está tentando estimular um jovem (vamos dizer…de uns 12 anos) a ler e quer uma opção além de Harry Potter, recomendo checar os livros de Riordan. Eles tratam de assuntos que possivelmente eles estudarão na escola (mitologia grega, história egípcia e etc) e pode estimular a curiosidade por essas civilizações. Mas além disso, se você procura um livro divertido para ler depois de Jane Austen ou algum russo intenso, os livros de Riordan também são uma boa pedida.

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