Resenha – A profecia Romanov
por Patricia
em 01/10/18

Nota:

Os Romanov foram a última dinastia czarista do país e, depois de 300 anos de domínio, caíram na Revolução de 1917, quando Lênin e os bolcheviques perseguiram a família real e assassinaram onze membros da família e da Corte, incluindo o czar Nicolau II e sua esposa, Alexandra. Há quem acredite que todo esse destino tenha sido profetizado por Rasputin, figura polêmica da Corte. Rasputin teria profetizado a morte da dinastia Romanov e também seu renascimento.

É a partir daqui que Steve Berry começa sua obra “A profecia Romanov“. No início dos anos 2000, ao ver que a Rússia está dominada pela máfia, por políticos corruptos e por uma Igreja Ortodoxa focada em seus próprios interesses, o povo russo votou para que o czarismo fosse restaurado. O país se tornaria uma autocracia novamente e, para isso, uma Comissão foi criada para encontrar o dependente mais próximo dos Romanov vivo. Como muitos conseguiram fugir da Rússia antes da Revolução, a Comissão esperava encontrar alguém que pudesse fazer parte da linhagem direta do czar deposto. Stefan Baklanov, parece ser o melhor candidato.

Miles Lord e seu chefe, Taylor Hayes, representam um grande escritório americano que tem total interesse no resultado dessa Comissão. Muitos de seus clientes têm negócios na Rússia e eles estão em Moscou para acompanhar a discussão. O que Lord não sabe é que há um grupo de homens muito poderosos coordenando tudo por trás das cenas. A nova Rússia parecia muito similar à antiga. Lord também não sabe que ele terá um papel crucial nisso tudo.

Por ser fluente em russo e conhecer bem a história do país, Lord é convocado por Hayes para pesquisar todos os documentos oficiais que haviam sido selados por Stálin por décadas para garantir que nada poderia interferir na candidatura de Stefan para o trono. Lord, porém, descobre algo muito mais importante.

Em 1991, seis meses antes da URSS deixar de existir de fato, o corpo de membros da família e da corte foram encontrados em uma estrada na Rússia – nove no total. O problema é que onze pessoas faziam parte da corte e onze pessoas foram presas pelos bolcheviques. Ao fazer uma análise detalhada do DNA, comprovou-se que Alexei, o único filho do czar e herdeiro do trono, e sua filha Anastásia não estavam entre os corpos encontrados.

Teorias da conspiração sugerem que ambos sobreviveram e, se isso fosse verdade, poderiam ter deixado herdeiros que teriam mais direito ao trono que Stefan. Lord encontra documentos que podem indicar que esse é mesmo o caso. Alexei e Alexandra estariam vivos. O que se segue é uma intensa perseguição internacional entre forças que querem influenciar o novo czar e um grupo que pretende garantir que a dinastia Romanov permaneça viva.

A influência de Dan Brown na obra é forte. “A profecia Romanov” foi lançado apenas um ano depois de “O código Da Vinci” e ainda me lembro da hype que girou em torno do livro de Brown que, mais tarde, foi adaptado para o cinema com ninguém menos que Tom Hanks no papel principal. O livro de Berry segue o mesmo esquema de história: um enigma baseado em uma teoria de conspiração, um personagem principal que encontra uma moça para ajudá-lo a resolver o problema (e sem ela ele não poderia fazer nada) e vilões feiosos que perseguem o casal o tempo todo. Há cenas bem previsíveis e um final mais previsível ainda.

Essas coisas, porém, não desabonam o livro totalmente. A historia da Rússia e dos czares é, de fato, fascinante e rende um pano de fundo interessante para o livro. Mas Berry, que tinha publicado apenas um livro até este, ainda precisava evoluir um pouco em alguns pontos: ao ver um advogado conhecido morrer em um tiroteio e cair em cima dele, o primeiro pensamento de Miles foi: “espero que ele não tenha AIDS”. Ao ver Miles pela primeira vez, Akilina pensa que “nunca viu um negro na vida, mas ele não lhe dava medo”. Essas pequenas pílulas non-sense permeiam todo o livro e acabam tirando, por vezes, o tom dramático de uma cena porque têm um viés bobo, beirando o risível.

Desde de “A profecia Romanov” Steve Berry publicou uma média de um livro por ano, em um nível Stephen King de produção. Darei ao autor o beneficio da dúvida e pretendo ler mais de suas obras esperando que a prática o tenha ajudado a aparar algumas arestas.

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2 Comentários em “Resenha – A profecia Romanov”


Passei na biblioteca em 01.10.2018 às 11:15 Responder

Todo mundo adora Os Romanov, né? Eu não nunca li nada, será que se eu ler esse dá pra entender ou devo começar por outro livro?

Patricia em 01.10.2018 às 19:54 Responder

Esse dá uma boa base. Talvez um não ficção seja melhor para trazer mais fatos (esse não tem essa premissa). Mas como eu adoro uma teoria da conspiração, comecei por esse mesmo. hahahaha


 

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