Resenha – A última madrugada
por Patricia
em 02/06/14

Nota:

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Junho é mês de literatura nacional no Poderoso!! \o/ Isso significa que todas as resenhas publicadas esses mês, serão de autores brazucas da gema. 😉 Então vem que começa agora o samba de Junho.

Já tinha ouvido falar de J.P. Cuenca antes, mas sem ter muito contato com sua obra propriamente dita. Resenhas de suas obras, não me recordo de nenhuma. Mas meu interesse pelo autor veio, pasmem, depois de um artigo que ele publicou na Folha sobre o autor nacional e a perspectiva de ser publicado no exterior. Gostei da maneira como ele se posicionou e fui dar uma olhada nas estantes para ver se já tinha alguma coisa dele. E encontrei A última madrugada que, logo, coloquei na lista de leituras.

O livro é uma coleção de crônicas do autor, algumas previamente publicadas em grandes jornais como O Globo e Jornal do Brasil.

Antes de falar mais sobre o conteúdo, deixe-me aproveitar esse espaço breve para dizer o quanto eu adoro crônicas. Acho que tem muito preconceito com cronistas por aí. Poucos blogs falam deles, poucos leitores os buscam. Pessoalmente, eu gosto muito de textos que tratam de uma leitura – ou releitura – de um acontecimento atual ou Histórico. Há quem diga que a crônica é uma mistura entre jornalismo e literatura, o que me agrada muito.

São doses homeopáticas de notícias que poderiam ser banais avaliadas por um ponto de vista, muitas vezes, diferenciado. Se o cronista é bom, um fato bobinho pode virar um texto fantástico. Fernando Sabino, por exemplo, é um cronista dos melhores. Francisco Bosco também me impressionou.

Em A última madrugada, o carioca J.P. Cuenca fala dessas coisas banais do dia a dia de uma maneira bem mais profunda. Suas análises partindo de um ponto bem randômico chegam a pedir mais páginas. Mais e mais. Por exemplo: na crônica, O novo homem (uma das minhas preferidas no livro), ele parte de novos personagens masculinos retratados no cinema para analisar como o papel do homem na sociedade começa a mudar. Em outra das minhas preferidas, O amor de Adriano, ele comenta sobre os dilemas amorosos do jogador Adriano – o Imperador – e faz um link com Stendhal e o amor atualmente que ficou tão fantástico que li duas vezes.

A edição da Leya é lindíssima. Cada crônica tem uma página preta separando-a da anterior – como uma capa. No verso dessa capa, temos uma citação da crônica a que seremos apresentados. É realmente uma edição bem cuidada. Dá gosto de ver.

No geral, diria que J.P. Cuenca é um excelente autor, mais do que apenas um bom cronista.

Cuenca tem uma singularidade na forma como escreve que chama a atenção. Apesar de estarmos aqui comentando textos curtos, também estamos falando de textos com uma boa dose de profundidade. Ele vai além do óbvio. Isso é um grande talento para apenas duas ou três paginas de texto. E foi isso que me fez querer ler mais e mais coisas dele.

Vai receber a dose máxima de café e já estou a caça de outros trabalhos do autor. 😀

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2 Comentários em “Resenha – A última madrugada”


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Livio em 28.04.2016 às 20:19 Responder

Tenho muito preconceito com o JP Cuenca, li Corpo Presente, sua obra de estreia, e honestamente achei uma bosta, depois insisti e li o Dia Mastroianni, li não, tentei ler, esse não é tão ruim quanto o primeiro, mas igualmente medíocre. Mas parece que Cuenca tornou-se um dos queridinhos da literatura nacional.
Confesso então, que não lerei esse livro que você resenhou, ainda mais por se tratarem das insossas crônicas dum dos mais superestimados autores da nova geração.

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Patricia em 28.04.2016 às 21:45 Responder

Não li nada mais do autor – tenho aqui o O último final feliz…, mas ainda não li. Gostei dele como cronista e acho que nesse aspecto ele cumpre bem o que promete. 🙂 Vamos ver se chego nesses que vc comentou e aí te conto se são bons ou não. rs


 

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