Resenha – A última viagem do Lusitânia
por Patricia
em 27/02/19

Nota:

Erik Larson já passou pelo Poderoso com dois livros: “No jardim das feras” e “O demônio na cidade branca. Duas obras das quais gostei muito e, por isso, me animei para ler “A última viagem do Lusitânia”, mesmo sem saber muito sobre o que seria (que é sempre minha maneira preferida de começar uma obra).

O Lusitânia foi um transatlântico gigantesco que afundou em 1915. A história, ocorrida três anos depois do Titanic, chamou a atenção justamente pela data: o começo da Primeira Guerra Mundial. Uma guerra marcada pelas inovações marítimas, trouxe à tona um caráter perverso dos alemães. Isso porque o Lusitânia era um navio civil e não de guerra.

Larson nos leva até o desenvolvimento do Lusitânia, construído pela empresa britânica Cunard Line em 1906 e que chegou a ser o navio mais rápido do mundo, feito impressionante dado seu tamanho. Confiantes de que haviam construído um navio extremamente seguro, a empresa lançou-o efetivamente para viagens civis naquele mesmo ano com uma cerimônia de inauguração que contou com 600 convidados.

“O navio queimava carvão o tempo todo. Mesmo quando parado no porto, consumia 140 toneladas por dia para manter as fornalhas aquecidas e as caldeiras desobstruídas e para fornecer eletricidade…Quando o Lusitânia estava viajando, seu apetite por carvão era gigantesco. Seus trezentos foguista, estivadores e bombeiros – cem homens por turno – jogavam mil toneladas de carvão por dia nas 192 fornalhas para aquecer as 25 caldeiras…” [pág. 22]

Um gigante dos mares, o Lusitânia foi idealizado para que a Cunard Line pudesse bater de frente com empresas americanas que começavam a fabricar navios tão bons ou melhores que os seus.

Quando a Áustria declarou guerra à Sérvia após a morte do arquiduque Franz Ferdinand, os Estados Unidos viram chocados a Europa entrar em um conflito mortal que poderia ter sido resolvido com diplomacia. A Alemanha invadiu a Bélgica e a Inglaterra declarou guerra unindo-se à Rússia e à França.

Na época, o Presidente Woodrow Wilson, recém viúvo, via a economia de seu país crescer. Produtos americanos eram vendidos no mundo todo e economistas previam anos positivos para a balança comercial do país. Uma guerra era o que Wilson menos precisava. Por isso, ele declarou os Estados Unidos como país neutro e tentou ao máximo não se envolver.

A Alemanha usou de táticas bem questionáveis: foi o primeiro país a usar gás venenoso em combate (gás cloro) e seus submarinos foram construídos com o principal intuito de afundar navios inimigos. Porém, os capitães dos submarinos tinham total poder de decisão quanto a afundar ou não um navio e, mesmo se vissem uma bandeira de nação neutra, poderiam decidir naquele momento se acreditavam se era mesmo um navio neutro ou não. Não ajudava o fato de que havia uma certa competição entre os capitães para ver quem afundava mais toneladas de aço.

Um navio como o Lusitânia, portanto, era um presente para um submarino alemão.

Um conjunto de fatores fez com que o Lusitânia entrasse na mira do U-boat que o afundou. Muitos deles, completamente evitáveis. Alguns, nem tanto. No fim, muitos acreditam que as autoridades britânicas não fizeram muito porque queria que os EUA fossem forçados a entrar na guerra contra os alemães e os números de americanos mortos no naufrágio talvez justificasse isso. Mas passaram-se mais 2 anos até que o Presidente Wilson tomasse essa decisão.

Larson apresenta passageiros ilustres do Lusitânia e até alguns não tão ilustres assim. Como já provado em suas obras anteriores, sua habilidade e disposição para a pesquisa tornam a experiência de ler esse livro algo extremamente interessante. É quase como se estivéssemos lendo jornais da época que mostravam a vida de alguns passagens e seus derradeiros fins.

Ele também se aprofunda em algumas estratégias de guerra usando Churchill como peça central dos Aliados. Na linha de frente alemã, um soldado chamado Adolf Hitler é citado. Sabendo que Churchill e Hitler se debateriam 30 anos depois, os contornos da história ficam ainda mais macabros.

O nível de detalhe do último dia do navio no mar é impressionante. A pesquisa alinhada com uma escrita experiente, fazem com que “A última viagem do Lusitânia” seja um livro difícil de largar.

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