Resenha – A vida pelos outros: escolhas altruístas no limite da ética
por Bruno Lisboa
em 04/05/18

Nota:

Que vivemos tempos difíceis isso não é novidade para ninguém. E que o mundo seria melhor se fossemos mais preocupados uns com outros, também. Mas e se levássemos esse altruísmo a níveis mais altos (já que a demanda é enorme)? Isto deveria ser, aparentemente, um exercício “saudável e necessário” para todos, mas nem sempre o é. E é essa a temática que A vida pelos outros: escolhas altruístas no limite da ética aborda.

Escrito pela jornalista Larissa MacFarquhar, a obra é dividida em duas perspectivas: de um lado temos reportagens biográficas sobre pessoas que decidiram por dedicar suas vidas a ajudar (como autênticos heróis da vida real), adotando inúmeras causas inerentes às dores do mundo. Por um outro lado a autora problematiza o quão danoso (e egoísta) o altruísmo pode ser a partir do mundo em que se leva o mesmo a níveis extremos.

Por mais que diariamente vejamos diversas celebridades divulgarem a adoção de causas humanitárias  MacFarquhar , acertadamente, ao dar voz a pessoas comuns mostra que qualquer um pode realizar trabalhos mundo à fora em prol de cessar problemas ligados à fome, a proteção dos animais, a mortalidade infantil, entre tantos outros.

Algumas das histórias retratadas, como o caso da enfermeira americana Dorothy (e seu trabalho voluntário na Nicarágua) acabaram por ganhar notoriedade e reconhecimento, mas em sua maioria as histórias aqui retratadas não são sobre pessoas que buscam visibilidade ou reconhecimento já que preferem o anonimato.  Para tanto, grande delas deixam de lado uma vida “tradicional” (casar, ter filhos, uma casa, um carro…) para dedicar-se única e exclusivamente a resolução das necessidades que o mundo clama para serem sanadas.

Mas como consta a frase atribuída a Karl Marx “O caminho do inferno está pavimentando de boas intenções”, por mais que as boas ações perpetuadas pelos bons samaritanos devam ser admiradas, as mesmas precisam ser observadas com cautela. A autora problematiza de maneira aprofundada e relevante que muitas das vezes tamanha dedicação acaba por revelar perfis de pessoas que são acometidas pelo masoquismo ou até mesmo egoístas, que torcem para que a sociedade siga caótica para que o seu prazer em ajudar não lhe seja negado.

De fato, por mais que pessoas e ações altruístas sejam taxadas regularmente de “loucas”, a existências das mesmas há de ser de grande valia. A empatia pelo mundo promovida pelos altruístas faz com que a era da insensibilidade torne-se mais distante. Elas provam que o senso de comunidade e humanidade permanecem vivos.

Inspirador, A vida pelos outros: escolhas altruístas no limite da ética mostra que a luz da esperança permanece acessa. Mesmo que os sinais dos tempos não demostrem isso.

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O livro foi enviado pela editora. 

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