Resenha – Achados E Perdidos
por Ragner
em 18/10/16

Nota:

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O mestre Stephen King ganha mais uma resenha em nosso Poderoso, agora com Achados E Perdidos, segundo volume da trilogia iniciada em Mr. Mercedes. Os acontecimentos nessa obra vão se desenrolando com o passar de anos, onde alguns personagens são apresentados anos antes do que ocorre em Mr Mercedes e com o passar da narrativa e vamos acompanhando suas vidas depois do massacre no primeiro livro. A história segue com outros protagonistas que mesmo percorrendo caminhos diferentes, acabam, de alguma maneira, sendo interligados com o que foi introduzido no primeiro livro.

Dessa vez, somos apresentados a Morry Bellamy que em 1978 assassina seu ídolo literário. Morry, com mais dois parceiros, invadem a casa do escritor John Rothstein, irritado e atormentado pelo fim de seu personagem favorito. Rothstein parou de escrever e guardava em seu cofre particular cadernos e mais cadernos de histórias com o protagonista Jimmy Gold. O trio rouba tudo o que havia no cofre e mata o autor. Anos depois, um jovem chamado Peter Saubers encontra um baú em um terreno próximo a sua casa. Dentro ele encontra diversos de envelopes com centenas de dólares e vários moleskines com várias histórias, em sequência ou mesmo aleatórias. Isso em 2010.

No ano de 1979, Bellamy tinha sido preso por estuprar uma mulher e por violência contra um polícial. Foi condenado a prisão perpétua, mas nunca se esqueceu de seu “tesouro” e estava mais do que decidido de que um dia conseguiria sair da prisão. O jovem Saubers, por sua vez, conseguiu utilizar o dinheiro que tinha encontrado, sem levantar grandes suspeitas, ajudando os pais com valores mensais durante uma época de crise financeira e também acaba se descobrindo um amante de literatura, decidindo se tornar um especialista no assunto quando entrasse na faculdade. A história dos dois vai se cruzando com o passar do tempo e a trama policial se concretiza.

O enredo entrelaça acontecimentos que nos permite conhecer pessoas e entender alguns fatos que estavam presentes em Mr. Mercedes. Como por exemplo o pai de Peter, Tom Saubers, que estava no estacionamento na madrugada do massacre e que quase ficou paraplégico. Tom estava desempregado e assim ficou por um bom tempo. Quando Peter encontrou o baú, teve a ideia de usufruir do dinheiro encontrado e fazer com que sua família pudesse sobreviver à crise que enfrentava com apenas a mãe trabalhando.

De 1979 até 2014, Morry Bellamy permaneceu preso e acreditando que conseguiria a liberdade um dia. Acreditava que quando saísse, iria recuperar os escritos de Rothstein e a grana roubada. Então o ano de 2014 chega e Bellamy consegue sua liberdade condicional. Já Peter refletia em como conseguiria ajudar seus pais, que no momento já precisavam menos do “tesouro” encontrado, mas que ainda não estavam em uma situação tão confortável. Depois de 4 anos se dedicando à literatura e sendo bem visto por seus professores, o jovem Saubers acreditava que poderia e deveria fazer algo em relação aos escritos de Rothstein. E é aqui que a história fica ainda mais interessante: A família Saubers morava exatamente na casa que décadas atrás tinha sido de Bellamy e após 35 anos preso, ele agora estava em liberdade.

Para ter o enredo mais envolvido com os personagens de Mr. Mercedes, logo após sermos bem introduzidos e direcionados com as histórias de Bellamy e Saubers, o detetive Bill Hodges vai ganhando terreno e a trama policial ganha mais um ingrediente de ação e suspense. E isso é uma adição formidável para uma narrativa que já estava boa.

Esse segundo livro não é auto-suficiente. Mesmo que siga uma outra narrativa, com protagonistas e antagonistas próprios, temos ainda alguns personagens que vivenciaram acontecimentos do primeiro livro da trilogia e isso influencia suas condutas aqui. A história de Bill Hodges e seus amigos cresce substancialmente e isso me deixa bem ansioso pelo último volume e o que ainda pode vir por aí.

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Livro enviado pela editora

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