Resenha – Alguém para amar
por Bruno Lisboa
em 14/09/16

Nota:

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Alice McDermott é uma das autoras queridinhas da literatura norte-americana. Prova disso é que grande parte de suas obras foram contempladas por prêmios (como o American Book Award e o National Book Award por Charming Billy) e por nomeações ao Pulitzer e ao Pen/Faulkner Award como também conquistaram sucesso de público. Seu último, e também elogiado, rebento é Someone (intitulado Alguém para amar no Brasil), livro que marca o início de nossa parceria com a editora Globo. 

Rompendo um silêncio de sete anos, em Alguém para amar (lançado em 2013) McDermott promove um terno ode ao universo feminismo.

Ambientada no Brooklyn, Estados Unidos, no período pré-depressão (leia-se crise de 1929, época em que o bairro era ainda celeiro de imigrantes irlandeses), a narrativa perpassa um longo período de transformação americana, mas tem como ponto central os dilemas da jovem personagem Marie que narra suas aventuras, alegrias e tristezas ante a vida. Construída em primeira pessoa, a comovente obra traz a tona uma história que circunda a natureza sôfrega de uma típica garota suburbana que busca, desde a infância, o seu lugar no mundo que ainda está preso a valores antiquados.

Ao longo da obra Marie se depara com os altos e baixos da vida como as agruras ligadas a busca do amor verdadeiro, a inadequação a vida doméstica, as desavenças com a mãe, o enfrentamento diário da doença do pai, a busca por seu primeiro emprego, a perda de uma amiga ainda jovem, um noivado desfeito tendo o seu contraponto um futuro casamento feliz, a maternidade e maturidade.

Descritiva por excelência, a textualidade de McDermott convida o leitor a visualizar em detalhes todo o cenário e ambientação local, com qualidade digna de um bom roteiro fílmico. Aliás, a obra renderia uma ótima adaptação para a telona. Alguém, por favor, entregue uma cópia deste livro para Stephen Daldry (diretor de As horas)!

Numa honrosa comparação, McDermott soa como uma  Anne Tyler (autora do clássico Almoço no restaurante da saudade) moderna, pois escreve de maneira sutil, breve e emocionante sobre o quotidiano e o peso da existência.

Por mais que a obra incomode inicialmente devido ao fato de não seguir um fluxo cronológico (os relatos são entrecortados entre o presente e o passado) Alguém para amar vai, ao longo de suas 255 páginas, ganhando ritmo e encanta tamanha destreza com que trabalha uma personagem feminina tão simples e ao mesmo tão interessante.

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Livro enviado pela editora

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