Resenha – Alta ajuda
por Patricia
em 22/05/13

Nota:

9788566023046

Já falei sobre livros de crônicas…já tivemos Sabino e Veríssimo passando por aqui e deixando sua marca. Pessoalmente, esses seriam os únicos dois autores que mais leio de crônicas. Não sei explicar…mas crônicas, às vezes, são pensamentos sucintos mas que podem ser profundos e já aconteceu de eu acabar de ler uma e ficar matutando depois. Essas, claro, são as melhores. Sabino e Veríssimo já me fizeram passar por isso. Realmente achei que seria difícil encontrar outro cronista que escrevesse coisas que me fizessem pensar em apenas duas páginas.

Por isso, foi sem qualquer expectativa que peguei o Alta ajuda de Francisco Bosco para ler. Eu não sabia o que esperar porque não conhecia o autor até então e, como você pode ver, a capa não diz muita coisa.

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A parte divertida de livros como esse, para mim, é que todos os assuntos são abordados – o autor pode falar sobre o que lhe der na telha. Esse é um tipo de liberdade muito interessante. Bosco tira proveito disso de uma maneira divertida: ele vai de sexo a Roberto Carlos (não na mesma crônica), de hipocondria a facebook. E texto após texto, com referências filosóficas, ele vai nos entregando um pensamento completo.

Tão completo que cada vez que eu terminava uma crônica, a primeira coisa que eu pensava era “mas COMO eu não pensei nisso antes?”. Pode ser triste para algumas pessoas mas, para mim, é divertido ver coisas de maneiras tão diferentes e tão bem dissecadas quanto o que Bosco escreve. Eu aprecio pontos de vista diferentes que me fazem pensar.

Amostra:

“[…]sob a cultura descartável do capitalismo de consumo e seus imperativos de gozo, ninguém mais quer arcar com os princípios de responsabilidade, renúncias pulsionais e conservadorismo que caracterizavam o mundo adulto. Assim, as crianças se tornam adultos e os adultos querem ser adolescentes.”

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Com efeito e propriedade, Bosco cita grandes nomes para marcar seus pontos ou contra-pontos de maneira certeira: temos Aristóteles, Proust, Freud, Nietzsche e pensadores filosóficos de calibres similares. É um livro de leitura rápida e, apesar de tanto conteúdo, despretensioso.  Pode parecer que não quando se trata de assuntos tão diversos e com tanta profundidade, mas realmente parece que Bosco escreve o que lhe vem à cabeça e a leitura é tão fácil que passa a sensação de que ele forma esses pensamentos de uma sentada só e sem querer ser moralista.

Um divertimento para a cabeça e para os leitores que gostam de variar os assuntos. Tudo no mesmo livro.

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