Resenha – Amada
por Bruno Lisboa
em 24/12/18

Nota:

Descrever o que Toni Morrison representa para a literatura é exercício do mais complexo. Afinal ela é dona de uma história de vida incrível. Multifacetada, tem em seu currículo um autêntico “acumulo de funções”, pois além de escritora (especializada em romances e ensaios) Toni atua como editora e professora universitária. Tamanha destreza na área da escrita acabou por lhe render um prêmio Nobel em 1993. Sua bibliografia é vasta, mas sua obra de maior destaque é, sem dúvida, Amada. A autora aliás já apareceu por aqui recentemente graças as resenhas de Deus ajude essa criança e Voltar para casa.

Lançada em 1987, Amada é leitura pesada no bom sentido da palavra. Em um breve resumo do que se trata, a obra gira em torno Sethe e a sua filha Denver. Em segundo plano temos Paul D, um velho amigo de Sethe que se torna seu amante, e Amada, uma misteriosa garota que cujo passado é desconhecido, mas que traz em si elementos que conduzem a narrativa. Por mais que sejam personagens diferentes todos tem como elemento comum
o fato de terem vivido sob as agruras do período da escravidão nos EUA e tentaram seguir em frente.

Para além do racismo, outros temas que perpassam pela obra estão ligadas ao machismo, a complexidade das relações familiares e o universo feminista. Aliás, as personagens femininas aqui ganham destaque, potencializando uma das marcas da obra de Morrison: a defesa da mulher e o seu papel na sociedade. Fatores estes que, aliás, imprimem ares atemporais a obra.

O desenvolvimento da história em si é complexa, pois a mesma é polifônica, fator este que por vezes dificulta a compreensão direta da narrativa. A multiplicidade de vozes faz com que nos percamos no emaranhado de histórias de cada um dos personagens que surgem de maneira atravessada, não obedecendo a ordem cronológica dos fatos.

Impactante e desafiador, Amada foi largamente elogiado na época e abriu precedente para Toni tornar-se, merecidamente, o que hoje é.

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O livro foi enviado pela editora

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