Resenha – O apanhador no campo de centeio
por Bruno Lisboa
em 24/07/15

Nota:

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Seguindo a saga de rememorar livros que me fizeram tonar um leitor voraz lembrei que basicamente no mesmo período em caia de amores por Alta Fidelidade (resenha da semana passada) eu tinha sempre a tiracolo e companheiro fiel O apanhador no campo de centeio, obra de estreia de J.D. Salinger.

Lançado em 1951, o revolucionário livro de Salinger quebra o paradigma da literatura juvenil da época, famosa por suas histórias habituais onde um “garoto encontra um garota”, pois em seu cerne Apanhador temos o adolescente Holden Caulfield que acaba de ser expulso da escola devido ao péssimo rendimento anual.

Narrado em primeira pessoa, este romance geracional dá voz ao jovem rebelde que decide, logo após  a expulsão, ir a Nova Iorque. Enquanto planeja voltar para casa no natal e se preparar para ouvir os sermões familiares, Holden vagueia pela cidade. Em meio impropérios e brigas homéricas, bebedeiras, encontros com prostitutas, a ex-namorada e um ex-professor, o personagem central busca, a seu modo, refletir sobre sua vida, buscando uma maneira de se encontrar num mundo que não lhe aceita ou não lhe entende.

Atento aos dilemas de sua geração, o tom de crítica social é perpetuado ao longo da narrativa. Embalado numa verve cômica Caulfield esbraveja contra os valores vigentes antiquados de uma sociedade”falsa”e “quadradona”, como o mesmo descreve. E é neste aspecto que reside o grande trunfo da obra, pois pela primeira vez um escritor se arriscou a confrontar abertamente a geração anterior, expondo que na verdade ser adolescente nunca foi exercício dos mais fáceis.

Dotado de uma escrita coloquial, Salinger fez de Apanhador um autêntico manifesto em prol do que a literatura deveria ser feita a partir de uma linguagem simples e adequada com o próprio tempo. O fato da mesma ser direcionada ao público jovem e ao leitor comum faz com que o caráter erudito outrora, carregado de caracterizações gigantescas e rebuscadas, desse lugar a fluidez textual, centrada muito mais em diálogos curtos e objetivos.

Tido como um dos livros patronos da literatura pop juvenil, a obra de Salinger influenciou toda uma geração de novos escritores que adotariam o mesmo estilo para construção de obras também icônicas. Livros como Abaixo de zero, de Bret Easton Ellis, As vantagens de ser invisível, de Stephen Chbosky (com resenha da adaptação para cinema aqui), e A redoma de vidro, de Silvia Plath, são alguns dos filhos gerados a partir deste clássico atemporal da literatura mundial que já conquistou admiração de mais 15 milhões de pessoas.

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