Resenha – As melhores crônicas de Fernando Sabino
por Patricia
em 19/12/12

Nota:

Tenho com Fernando Sabino uma relação diferente que com os demais cronistas. Não é, por exemplo, a relação de amor e ódio que tenho com Veríssimo. É mais como uma amizade…quando você pode até ouvir/ler alguma coisa que não gosta mas releva porque você realmente gosta da pessoa. Aquele amigo que você conhece tão bem que mesmo que você fique sem falar com ele por muito tempo, quando vocês sentam em um bar parece que se falaram pela última vez ontem.

Há muitos anos li “A companheira de viagem” e me encantei com a forma como o autor escreve e descreve. Outro dia, acordei e percebi que fazia tempo que não lia nada de Sabino. Bateu uma saudade de seus textos leves e seus comentários sem pretensão.

Nenhum assunto está fora de pauta para Sabino: hipocondríacos, traumas de criança, cabelo, papagaios, mulheres, amigos…nada. Ele fala de pente e de farinha com a mesma leveza, com o mesmo toque sarcástico. É ler e esquecer da vida, do trânsito, da criança que chora no apartamento de baixo.

Amostra grátis: “Ser mineiro é esperar pela cor da fumaça. É dormir no chão para não cair da cama. É plantar verde para colher maduro. É não meter a mão em cumbuca. Não dar passo maior que as pernas. Não amarrar cachorro com linguiça. Porque mineiro não prega prego sem estopa. Mineiro não dá ponto sem nó. Mineiro não perde trem.”

Com essa edição, por não ter temas pré definidos, você pode ler uma crônica por dia, duas, três….pode ler no seu ritmo porque é tranquilo para retomar a leitura depois. Aliás, se você está lendo algum livro mais “pesado” do tipo “preciso pensar em cada parágrafo para não me perder”, leia uma crônica de Sabino entre os capítulos desse livro e garanto que será um alívio para sua mente.

Sabino escreve muito sobre sua vida, seu dia a dia. Como cresceu em família abastada e teve uma educação primorosa, algumas de suas crônicas que parecem tentar retratar algo simples, tornam-se engraçada por ser absurdas: como a crônica em que ele nos explica que deu folga para a empregada e em menos de um mês teve que se mudar para um hotel porque não sabia fazer nada na casa (é, classe média sofre). A crônica tem seu tom sarcástico mas nem tanto. O tom de humor vem de como é ridículo alguém que realmente passa por algo assim. Se essa era a intenção ou não, fico lhe devendo.

De qualquer forma, vale ler Sabino em qualquer momento. Leia para rir, para dormir, para pensar, para imaginar..Sabino serve para tudo isso e muito mais.

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