Resenha – As mulheres devem chorar … Ou se unir contra a guerra
por Juliana Costa Cunha
em 04/09/19

Nota:

éFe é a coleção de textos feministas lançada pela editora Autêntica. Virginia Woolf foi a escolhida para inaugurar esta coleção. Uma missão que me parece não ser de muito sacrifício para a autora sensacional que ela foi. Como não podia ser diferente tem outras resenhas sobre livros dela aqui no Poderoso.

Neste livro de ensaios nos deparamos com uma Virginia nos dizendo o seguinte: podemos chorar sobre a guerra e deixar as coisas como estão; ou podemos pensar sobre a guerra e mudar o cenário. É fácil perceber que ela nos conclama à segunda alternativa. E quando digo nos conclama, é a nós mulheres que estou me referindo. Pois é a nós que ela se dirige. Porém, ela não nos chama à reflexão e à ação de forma involuntária ou considerando que nós sejamos as salvadoras de tudo ou, mais que isso, colocando a responsabilidade apenas em nossas mãos.

Virginia nos fala sobre pensamento crítico, sobre ocupação dos lugares de poder, sobre reestruturação do mundo do trabalho, sobre acesso à educação e conhecimento. Nos conclama a refletir sobre tudo isso, mesmo que “apenas” produzindo pensamento crítico.

“Lutar mentalmente significa pensar contra a corrente, não junto a ela.”

Em tempos de guerra a autora conseguiu proferir palestras e escrever textos que falavam sobre a paz. Com um bombardeio sob sua cabeça (literalmente) conseguiu pensar e escrever um texto belíssimo sobre como não entrar em guerra. E voltou seu pensamento para os homens que pilotavam as aeronaves e suas famílias. É um texto que expõe sua recusa à guerra e à banalização da morte.

Ela consegue, ainda, ao longo dos textos, refletir sobre o patriarcado e o militarismo e a estrutura do Estado. Sobre a necessidade de sempre se formar novos soldados. E sobre a educação dada aos homens e às mulheres.

Esta edição da Autêntica é primorosa. Cada texto nela inserido vem acompanhado por notas explicativas sobre o mesmo e seu contexto. O posfácio escrito pela Guacira Lopes Louro é um complemento substancial à leitura, trazendo mais elementos sobre os textos e o pensamento da autora.

Como disse Guacira em seu texto: “Se a literatura de Virgina pode ser lida como sua resposta estética e política à guerra, ela também é, certamente, sua resposta feminista à sociedade em que vivia”.

Um livraço minha gente! Recomendadíssimo.

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Livro enviado pela editora

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