Resenha – Até que a culpa nos separe
por Patricia
em 05/07/17

Nota:

 

A australiana Liane Moriarty já passou pelo Poderoso algumas vezes: com sua primeira obra lançada no Brasil – O segredo do meu marido – com duas resenhas de sua obra de mais sucesso até hoje, “Pequenas Grandes Mentiras” (aqui e aqui), e também com a adaptação da HBO dessa obra. Agora a Intrínseca lança no Brasil Até que a culpa nos separe, livro mais recente da autora.

NOTA: A resenha pode conter spoilers.

Aqui a autora nos apresenta a Clementine e Erika – duas amigas com problemas intensos cada uma à sua maneira. Clementine é casada com Sam e mãe de Holly e Ruby. O marido quer mais um filho, ela não. Ela é violoncelista e sempre duvida de seu próprio talento antes de qualquer teste. Erika é filha de uma acumuladora e foi marcada para sempre por uma mãe fora de controle de várias maneiras. Erika é contadora – uma profissão que reforça sua tentativa de não ser como a mãe já que tudo aqui é controlado e matematicamente exato. Ela é casada com Oliver, filho de alcoólatras e também um contador.

Erika e Clementine se conheceram quando eram crianças e a mãe de Clementine (Pam) apontou Erika – que estava sozinha – e disse que elas deveriam ser amigas. Sem saber dizer não para a mãe e dependente de aprovação, a menina aceita. Mas sempre guardaria certo rancor dessa amizade por causa desse momento. Situação que piorou quando Erika viu em Pam uma mãe substituta – uma mulher que lhe dava atenção e conselhos reais, muito diferente do que ela de fato tinha em casa.

Para a história não parar e ficar sem cor, ela acrescenta um outro casal – Vid e Tiffany. Ele um executivo de sucesso, ela uma ex-stripper que virou executiva de imóveis – compra casa velhas, reforma e as revende a lucros razoáveis.

Moriarty usa uma fórmula um tanto batida – por ela mesma, aliás. Alternando os capítulos entre vários pontos de vista, há o Dia D – um dia fatídico que permeia toda a história de uma maneira ou de outra. No caso de “Até que a culpa nos separe” é um churrasco em que todos os casais se encontram e algo acontece. Esse algo é narrado com calma, detalhadamente, buscando aumentar um suspense que, em certos momentos, fica cansativo. A autora usa inclusive o mesmo cliffhanger em dois capítulos: em algum momento de felicidade, se escuta o grito agudo de uma das crianças. Fim. O capítulo acaba e o leitor fica sem saber se algo aconteceu com a criança até o próximo capítulo dedicado a esse dia. Usar deste recurso uma vez é algo, mas duas vezes é desnecessário.

Há ainda um sub-enredo com um vizinho ranzinza que, de verdade, não acrescenta quase nada na história além de um drama a mais – que se fosse removido não faria grande diferença. A autora atribui às mulheres em suas histórias temas reais e reconhecíveis para várias mulheres: dúvidas sobre seus relacionamentos, seus talentos, suas decisões de se tornarem mães ou não, a maneira como lidam com suas famílias por um viés feminino bem claro, mas em algum momento Moriarty terá que abandonar receitas padronizadas de apresentar suas histórias e personagens.

Ainda assim, as histórias da autora parecem agradar a Hollywood: Reese Whiterspoon e Nicole Kidman, que trouxeram “Pequenas Grandes Mentiras” às telinhas, já compraram os direitos de “Até que a culpa nos separe” para um longa. Na adaptação da HBO, muitos problemas com o enredo de “Pequenas Grandes Mentiras” foram revisados. Agora é esperar o que podem fazer com a obra menos relevante que é “Até que a culpa nos separe”.

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O livro foi enviado pela editora.

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