Resenha – Audre Lorde Irmã Outsider
por Juliana Costa Cunha
em 21/04/20

Nota:

“Como uma lésbica negra, feminista e socialista de 49 anos, mãe de dois, incluindo um menino, e integrante de um casal interracial, eu geralmente me percebo como parte de um grupo definido como outro, desviante, inferior ou simplesmente errado. É tradição, na sociedade americana, esperar que os membros dos grupos oprimidos e objetificados se desdobrem para superar as distâncias entre as realidades da nossa vida e a consciência do nosso opressor.”

Idade, Raça, Classe e Sexo: as mulheres redefinem a diferença P.141

Audre Lorde tornou-se em uma das primeiras expressões do feminismo negro americano, junto com Bell Hooks e Angela Davis. Por seu trabalho acadêmico e por sua história de vida, foi, também, uma das primeiras pessoas a dialogar sobre decolonialidade.

A citação acima, está no segundo parágrafo do livo de ensaios e conferências – Audre Lorde Irmã Outsider – lançado pela Editora Autêntica, através da Coleção éfe. Aqui no Poderoso, já fiz a resenha do livro da Virgínia Woolf, desta mesma coleção. Escolhi esta citação porque acho que ela apresenta bem a autora e dá o tom de seus escritos.

Lorde esteve à frente das lutas dos movimentos pelos direitos civis, das revoltas raciais, do surgimento dos Panteras Negras, a contra cultura e o início da segunda onda do feminismo, nas década de 60 e 70 nos EUA. Participou ativamente de todas estas frentes. Esteve, como se diz, no olho do furacão.

Seus textos são duros e incisivos, mas sem perder a ternura. E são escritos com uma fluidez espantosa, dada a carga de informações que ela consegue desenvolver em um mesmo ensaio. São textos que trazem muito da sua vivência. Suas experiências pessoais estão em cada linha do que escreve.

Temas como raça, classe, gênero, sexo, empoderamento, acesso a educação e cultura, questões geracionais, são alguns dos temas que estão em Irmã Outside. Há também poesia. Sim. Poesia. Inclusive um dos ensaios que destaco é dedicado a ela – A poesia não é um luxo.

Destaco ainda a entrevista dada por Lorde a Adrienne Rich (pág. 101) e os ensaios: As ferramentas do senhor nunca derrubarão a casa-grande (pág. 135); e o o ensaio cuja citação abre esta minha resenha Idade, Raça, Classe e Sexo: as mulheres redefinem a diferença (Pág.141).

Deixo aqui o convite para que vocês possam ler Audre Lorde e se deixar incomodar por suas palavras, transformando este incomodo em ação antirracista.

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Livro enviado pela editora

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