Resenha – Augustus
por Patricia
em 22/05/19

Nota:

Gosto muito de biografias e de ficção histórica. E foi com muito interesse que vi esse lançamento da Rádio Londres – uma biografia ficcional (mas baseada em dados históricos) sobre a vida de Augustus, o primeiro Imperador de Roma.

O autor, John Williams, se utiliza de fatos históricos para contar a história da ascensão do Imperador; as intrigas políticas que rondavam o poder romano; as conquistas e lutas para defender seu status como poderio dominante e aspectos da vida pessoal do homem que foi chamado de “dono do mundo”.

Vale dizer que, na época, o mundo se resumia à Europa, Oriente Médio, Ásia e África. Nada se sabia sobre outros territórios e, por ser uma região que havia anexado muitas outras, pelo fato de que Roma era considerada o centro de tudo.

A história começa pouco antes de Julio Cesar ser assassinado – fato que inspirou desde o teatro de Shakespeare até a fantasia de Conn Iggulden. Quando o assassinato acontece, seu sobrinho, Caio Otávio, se torna a escolha mais clara para a sucessão. Antes de morrer, César adotou-o oficialmente e Caio Otávio se tornou Augustus César. Para garantir sua segurança, evitando uma guerra pelo poder dado o vácuo que surge sem o Ditador anterior, ele propõem um triunvirato composto por ele, Marco Antônio e Lépido e sua primeira ação seria derrubar aqueles que conspiraram contra seu tio-pai.

O triunvirato durou pouco, pois cada homem tinha sua própria ambição e, eventualmente, conflitos cada vez maiores surgiram. Augustus, então, assumiu o poder inaugurando uma nova era da República, dando alguns poderes a mais ao Senado, aos magistrados e aos governos regionais. Em muitas cartas, ele é retratado como um homem sem muito interesse pela riqueza e pelo poder por si mesmo. O Senador quis chamá-lo de Ditador, nomenclatura comum na época, mas Augustus recusou. Nasceu, assim, o primeiro Imperador de Roma.

William se utiliza de cartas de diversos personagens para contar a história em uma tentativa de nos mostrar as maneiras como as pessoas foram afetadas. É um trabalho impressionante com cartas que vão e voltam no tempo e contemplam uma diversidade real de personagens: Lívia, a esposa de Augustus, Octavia, irmã do Imperador, Marco Antônio, eventual traidor da pátria, amigos da adolescência de Augustus que teriam papel importante no governo, até mesmo historiadores que pesquisavam os acontecimentos da época para registrá-los para a posteridade. Inclusive Cleópatra aparece para conduzir a história da queda de Marco Antônio (e sua própria).

Essas cartas nos permitem uma visão bem realista de como a política romana afetava a vida das pessoas: a corrupção aberta, a defesa pelo interesse próprio e as intrigas pessoais que tornavam as estratégias políticas em armas mortais.

A última carta, o terceiro ato do livro, é uma longa missiva do próprio Imperador (nenhuma carta dele aparece antes) já no final da vida analisando, como não poderia deixar de ser, tudo o que lhe ocorreu nos 40 anos em que ocupou o cargo maior de Roma.

Bem escrito, bem pesquisado e uma leitura muito agradável. Li em poucos dias sem conseguir largar.

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