Resenha – BRTrans
por Juliana Costa Cunha
em 28/01/19

Nota:

Silvero Pereira é dramaturgo, ator, diretor e produtor. É graduado em Artes Cênicas pelo Instituto Federal do Ceará, ele que é natural de Mombaça, neste mesmo Estado. Você já deve ter visto Silvero atuando em novelas e participando de programas de auditório. E talvez, assim como eu, já tenha se encantado com  sua capacidade performática. Ele tá sempre me surpreendendo.

Em 2000, Silvero criou o Grupo Parque de Teatro e, em 2006 a Inquieta Cia. Ele é um inquieto por natureza. Entre 2002 e 2008, realizou uma pesquisa sobre teatro e travestilidade que culminou no monólogo “Uma flor de Dama” que, por sua vez, deu origem ao Coletivo Artístico As Travestidas. Eu já disse que ele é um inquieto. Neste coletivo, juntamente com outros atores, vem desenvolvendo trabalhos que buscam provocar a sociedade através da arte. BRTrans é outro fruto da pesquisa citada acima (projeto intitulado “BRTrans: Cartografia artística e social do universo trans no Brasil“) e desta provocação e questionamentos que o ator vem se propondo a discutir com o público em geral.

Aqui neste livro, que faz parte da Coleção Dramaturgia da Editora Cobogó, temos o texto escrito para a peça BRTrans, escrita e encenada por Silvero, que desenvolve ao longo do texto diversos personagens. Segundo o autor e ator, o processo de laboratório no universo de travestis e transformistas teve como base o conto “Dama da noite” do escritor Caio Fernando Abreu.

O projeto e o posterior texto para o teatro partem do deslocamento do ator do Ceará para Porto Alegre e suas vivências no universo trans (travestis, transexuais e transformistas). O autor afirma que enquanto dramaturgia a peça é uma colagem destas vivências pessoais, referências musicais (ele que também é um excelente cantor) e fragmentos de textos (do próprio autor e de outros).

Ao ler o livro, com o texto na íntegra da peça, nos deparamos com estas colagens e com a potência cênica do autor/ator. Encontramos as músicas selecionadas para a peça, compondo um repertório que comunga das narrativas e vivências relatadas. Nos deparamos com os sonhos destas pessoas e com suas dores.

Ler BRTrans nos coloca frente a frente com a necessidade de ampliar conhecimento e provocar empatia. O Brasil, é o país líder mundial (MUNDIAL) em violência contra pessoas trans. Segundo dados da Agência Senado, de 2014 a 2018 foram registrados 1.731 (MIL SETECENTOS E TRINTA E UM) homicídios contra esta população no país.  Segundo o IBGE, a expectativa de vida das travestis e mulheres transexuais é de até 35 anos de vida, enquanto que a média nacional para mulheres cisgênero é 75,5 anos.

Em tempos de retrocessos sociais e perdas de direitos. Em que o fascismo e seu discurso de ódio a pessoas LGBT é crescente, BRTrans é um alerta, mas também um bálsamo. É saber que a luta é grande e que, embora difícil, não é solitária. E, principalmente, é se posicionar contra à LGBTfobia. Neste caso específico, contra a Transfobia.

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Livro enviado pela editora.

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