Resenha – Butcher’s Crossing
por Juliana Costa Cunha
em 25/11/19

Nota:

Um jovem chamado Will Andrews acaba de se formar em Harvard, mas se sente vazio. Ele tem 23 anos, mora na casa dos pais, tem uma vida de muitas mordomias e privilégios. Mora em Boston nos idos dos anos 1870, mas sente incompleto. Acha que sua vida não tem um propósito e sente que não conhece a vida de fato. Pensando em tudo isso decide dar uma guinada em sua vida. E faz isso de forma radical. Abandona a casa dos pais e vai para a cidade que dá título ao livro, Butcher’s Crossing .

Butcher’s Crossing não é mais do que um povoado no Kansas onde as pessoas que lá moram têm sua subsistência através da caça de búfalos e, consequentemente, a compra e venda do couro desses animais. Tudo na cidade gira em torno disso. Da economia local à organização social.

Will Andrews, o personagem principal, munido de dinheiro e desejo por outros conhecimentos em sua vida, se junta com um grupo de caçadores de búfalos e seguem em direção às montanhas do Colorado em busca de uma manada de búfalos vista há anos pelo líder do grupo, Miller. Encontrar estes búfalos já é um grande desafio.

A partir do momento que o grupo sai nesta caçada a história se desenrola lentamente, característica narrativa do autor John Williams o mesmo autor do muito amado Stoner e de Augustus. Saímos de Boston para vivermos um West em todos os seus detalhes. São também personagens deste livro a paisagem, os bois, os cavalos, os búfalos, o dia e a noite, a água e a comida (bem como a ausência delas), a seca e a neve.

Nosso personagem principal passa por todas estas experiências e, também, a própria caçada dos búfalos. Que aliás, é uma passagem do livro que me revirou o estômago dado o detalhamento deste processo de morte e retirada do couro dos animais mortos. Confesso que pulei muitas partes da leitura nesse trecho…

Porém, Butcher’s Crossing não foi um livro que me fisgou, tal qual Stoner. E eu passei dias pensando: por que eu não tinha gostado de um livro com uma narrativa tão incrível? E um certo dia, do nada, entendi. Will vai em busca de si mesmo, mas ele (na minha opinião) “compra” esse encontro. Ele tem dinheiro suficiente para bancar toda a caçada dos búfalos. Ele vai em busca de si mesmo e da natureza selvagem, mas ele paga por isso. E com esse dinheiro ele também paga a morte de milhares de búfalos, mesmo que quando isso aconteça ele faça todas as reflexões ao seu alcance naquele momento.

Outra passagem que também só neste dia me dei conta foi: quando Will chega ao povoado ele se encanta por uma moça, prostituta. Há o encantamento dos dois, um pelo outro. Porém quando a moça o chama para seu quarto ele não consegue transar com ela, pois imagina a fila de homens esperando para também entrar no quarto quando ele sair. Porém, quando ele volta de seu encontro consigo mesmo, uma das primeiras coisas que faz é procurar esta mesma moça e passar dias e dias em seu quarto, saindo dele apenas para ir embora de vez. Entretanto em seu retorno, Will já não é mais o moço desejado pela prostituta no momento em que ela o desejou.

É um livro que narra uma experiência existencial, um encontro consigo mesmo, fazendo dessa sua trajetória um ritual de passagem. E, para mim, esta é a principal questão do livro. E nisso, mais uma vez, o autor é magistral. Mas fiquei me perguntando o que de fato Will encontrou nas montanhas… E também se esta não é uma pegadinha do autor sobre uma história que a maioria percebe como existencial.

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