Resenha – Carta a D.
por Juliana Costa Cunha
em 25/02/19

Nota:

Eu ganhei este livro de presente da querida Wal Bittencourt que tem dois IGs lindos que valem o olhar carinhoso de vocês – o Escrevências Inventosas e o Amor Pela Literatura. Antes já tinha lido sobre o livro em diversos canais literários e, confesso, tinha algum receio pela unanimidade sobre este livro ser lindo e maravilhoso. Estava errada.

Em Carta a D., André Gorzs, faz uma declaração de amor a Dorine, sua companheira da vida toda. E não é segredo para ninguém que estes companheiros decidem dar fim às suas vidas, tendo em vista o avançar de uma doença terminal em Dorine. Está aí um de meus receios ao ler este livro. Achei que ele poderia descambar para o piegas. Mas, novamente, estava enganada.

André Gorz é considerado uma das figuras mais importantes do movimento de Maio de 68 em Paris e grande defensor do marxismo-existencialista. Dorine, esteve ao lado dele e, em muitas vezes, à sua frente para colaborar com seu processo criativo. Um não existia sem o outro, na vida amorosa e intelectual. E é assim que Gorz dá início à sua carta. Faz uma mea culpa das vezes em que narrou Dorine como uma figura secundária em sua vida quando, na verdade, sempre houve muito dela em tudo o que ele fez na vida.

Nesta carta testamento, Gorz se redime do fato de ter se utilizado de sua figura masculina muitas vezes para suplantar a força e a grandeza da existência de Dorine em seu processo criativo. E faz também uma narração dos momentos vividos pelo casal ao longo de toda a vida. A vida dura nos primeiro anos. A falta de recursos financeiros. E em como tudo isso foi se transformando em uma cumplicidade única entre o casal.

O adoecimento de Dorine faz com que ambos buscassem outras formas de experienciar a vida. Buscaram uma vida mais tranquila e com mais contato com a natureza. E com o agravamento da doença chegam à conclusão da escolha pela morte.

É um livro que nos apresenta muito amor, troca e cumplicidade entre um casal. Mas também nos fala de existência, de identificação com uma causa, com escolhas de modos de vida e também de morte. Eles não acreditavam na vida eterna. E não foi por isso que escolheram morrer. A escolha se deu pela certeza de que não poderiam seguir sozinhos. Um sem o outro.

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