Resenha – Cazuza: Só as mães são felizes
por Thiago
em 19/02/14

Nota:

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Essa semana, depois de uma conversa entre os membros do site percebi uma coisa muito chata. Notei que quase não leio livros escritos por mulheres, fui até meu armário e vi que com exceção de literatura didática ou de caráter acadêmico quase não tenho livros feitos por autoras e isso me incomodou muito.

Isso nos leva a resenha de hoje, que contempla ao mesmo tempo a campanha #LeiaMulheres e o Desafio do Tigre de Fevereiro. O tema era “julgando pela capa” e foi por isso que o li, pela foto do pequeno Cazuza com sua mãe. Uma imagem que me chamou atenção e depois da leitura é fácil perceber como foi escolhida para capa da primeira edição, pois nos diz exatamente sobre o que se trata o livro, da relação de uma mãe com um filho, dos erros, dos acertos, dos medos, alegrias e dores, no caso dessa história que de tão fantástica parece ficção estamos falando de muitas dores para o aflito coração de uma mãe.

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Não conhecia quase nada da história dele antes desta leitura e sei que este é apenas um olhar, meio que contaminado sobre a vida do Cazuza, afinal é a visão da Lucinha, a mãe dele, porém uma visão retratada por uma das mais famosas biografas brasileiras, a jornalista Regina Echeverria.

Primeiro esta não é uma biografia sobre o Cazuza e sim sobre a mãe dele, não sobre a Lucinha, mas sobre a mesma enquanto papel social de mãe. Sendo assim, aqui você encontra desde um breve relato sobre como os pais de Agenor Miranda de Araújo Neto (Cazuza) se conheceram, nascimento, infância, a conturbada juventude e a tão precoce morte por uma doença tabu até hoje, a Aids.

Ao passar por esses momentos Lucinha nos mostra não um filho heróico e genial, ela compartilha com o leitor o lado ruim e difícil dele e o mesmo lado dela, seus medos e erros como mãe, alguém que superprotegeu seu filho e como isso o afetou. A relação conflituosa de Cazuza com seu pai também aparece, mas de modo secundário.

Se este livro fosse um filme, o que acabou acontecendo, o personagem principal seria Lucinha, Cazuza fica aqui em segundo plano, estamos contando sua história não como objetivo principal, a grande sacada é contar a vida de uma mãe. Alguém que amou em demasia, que como uma fera lutou pela vida do filho aidético num contexto histórico em que ninguém falava sobre isso no Brasil e pouco era sabido sobre essa doença no mundo. Por isso, por essa luta de certa forma pública temos aqui duas pessoas muito importantes quando o assunto é HIV, Dsts e preconceito no nosso país. Além disso, uma dessas pessoas é de extrema importância para o nosso cenário musical, tanto rock quanto mpb, um poeta como raramente encontramos, alguém de uma vida intensa e extremamente interessante.

Então leia, conheça Cazuza, ou melhor a mãe dele!

Boa leitura a todos!

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