Resenha – Chamamento ao povo brasileiro
por Bruno Lisboa
em 15/04/20

Nota:

Quem tem medo de Carlos Marighella? Esta pergunta tem ressoado no imaginário de muitos brasileiros e há muito tempo. Porém nos últimos anos a história deste herói brasileiro (ou vilão para alguns) , que lutou bravamente contra a ditadura militar, voltou à tona devido a censura direcionada a cinebiografia do mesmo, dirigida por Wagner Moura, que há mais de um ano foi lançada e segue inédita no Brasil. Mas talvez você deve se perguntar: quem foi Marighella?

Nascido em Salvador Carlos Marighella foi um homem de muitas facetas indo desde a ser uma figura política atuante (seja no Partido Comunista ou na Aliança Libertadora Nacional), passando por escritor e, na sua fase mais radical, a guerrilheiro comunista.

Ele foi um dos principais organizadores da luta armada contra a ditadura militar brasileira, época esta em que chegou a ser considerado o inimigo “número um” do regime. Marighella foi assassinado em 1969 por agentes (chamados “carinhosamente” de “gorilas”) do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), órgão estatal que visava a repressão a todo grupo ou organização que fosse contra ao regime militar.

Em Chamamento ao povo brasileiro (lançado pela editora Ubu) temos uma compilação de diversos manifestos e poemas de Marighella que circularam, essencialmente, de forma clandestina durante anos. A partir da obra é possível compreender a luta e a militância de um homem que viu o crescimento de regimes ditatoriais na trajetória histórica do Brasil (partindo da era Vargas) e decidiu por manter em voga não só propagação de ideais marxistas para as massas, mas também combater o imperialismo norte-americano em terras brasileiras.

De maneira inflamável e ousada para o seu tempo, grande parte dos seus textos tem em si o caráter revolucionário e combativo ante as práticas governamentais operantes na época, que eram orquestradas pela burguesia e os ideais capitalistas.

Como ideal, Carlos acreditava que só uma grande mobilização popular das minorias poderia fazer com que o poder de decisão tornasse a pertencer ao povo e para povo e, que se necessário, a luta armada seria um dos caminhos. Infelizmente o militante não viveu o suficiente para ver queda do militarismo e nascimento de uma nova democracia anos mais tarde,mas que hoje encontrasse fragilizada e a beira do colapso.

Se estivesse vivo, o veria que hoje temos um recrudescimento de uma era fascista, que ele tanto combateu, com ideais burgueses e de forte militarismo, provando que os seus textos de outrora são dolorosamente atuais e que, infelizmente, o Brasil de fato tem um presente que está cheio de passado.

A contemporaneidade clama por mudanças estruturais. E não resta dúvida que este período de corona vírus é o momento ideal para que as vozes que orientem a nova era (como a de Marighella) devam ser ainda mais propagadas. Chamamentos ao povo brasileiro nada mais é que uma convocação para novos diretrizes. Vamos?

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