Resenha – Cidade dos etéreos
por Bruno Lisboa
em 04/04/17

Nota:

 

Encontrar um estilo literário, sua própria voz, muita das vezes não é tarefa das mais fáceis. Há escritores que o definem em seus primeiros anos de labuta. Também há aqueles que buscam-no a vida inteira. E aqueles que o encontram de cara, mas não se rendem as suas próprias regras e recriam-se constantemente. Desta feita, Ranson Riggs faz parte desta última categoria como se percebe em Cidade dos etéreos, segunda parte da trilogia do fenômeno Lar das crianças peculiares.

Lançado oficialmente em 2014 em 2016 pela Intrínseca, o segundo volume da saga promove uma autêntica reviravolta se comparado ao estilo adotado pelo autor em sua primeira parte (já resenha aqui) . Como Riggs disse, em entrevista na época de lançamento, O Lar da senhorita Peregrine para crianças peculiares foi uma narrativa construída a partir de uma coleção particular de fotografias estranhas, e isto fez com que elementos descritivos dominassem a narrativa. Era de se esperar que o autor seguisse neste formato, que acabou por defini-lo como escritor. Mas ele optou, de maneira inusitada, por deixar a caracterização e estilo em prol de um ritmo frenético, digno de filmes de ação/aventura.

Cidade dos etéreos começa exatamente onde primeiro livro termina, ou seja, (spoiler alert!) após a batalha contra os etéreos, que culminaria no fim da fenda temporal em que viviam e na transformação, aparentemente irreversível, da senhorita Peregrine numa ave. A partir daí os garotos peculiares correm contra o tempo para tentar salvar a matriarca. E para isso vão até Londres, na época devastada pela segunda guerra mundial, onde precisam encontrar outras fendas e procurar a ajuda de outros seres peculiares ou de outra cuidadora de crianças (chamada de “ymbryne”) que saiba reverter o que acontecera a Peregrine.

A saída da “zona de conforto” por parte de Riggs, ao adotar por caracterizações próprias ao invés das fotografias como base textual, resultou numa ainda melhor apresentação de seus personagens, permitindo conhecê-los mais a fundo e desenvolve-los. Jacob, por exemplo, que antes era um garoto assustado que ainda não sabia o que queria, decide por explorar a sua peculiaridade (a previsão da presença de etéreos) e surge de maneira confiante diante as inúmeras situações ao qual irá enfrentar. Inclusive a consolidação do romance com Emma, que é retratado de maneira cautelosa e madura pelo autor, demonstra o seu crescimento.

O término surpreendente deixa em suspenso o destino das crianças e o futuro do universo dos peculiares. O terceiro e derradeiro (?) volume promete.

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O livro foi enviado pela editora.

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