Resenha – Clube dos corações solitários
por Bruno Lisboa
em 31/03/15

Nota:
Quais são os mecanismos que nos movem ao passado? Por que sempre a maioria das pessoas gosta de retomar/reviver tempos já vividos? Quais são os sabores e dessabores que a nostalgia nos promove? Essa gama de perguntas enevoaram minha mente tempos atrás após a leitura de Clube dos corações solitários, obra de André Takeda.
Gaúcho de nascença, André Takeda já havia se arriscado no universo da escrita como contista no extinto site de cultura pop chamado Tax durante a década de 90, período em que já rascunhava suas primeiras linhas que resultariam em sua primeira incursão no universo da ficção.
Lançado em 2001, o livro traz aos longos de suas 194 páginas um história simples e direta que funcionam como um autêntico retrato das geração X brasileira (leia-se: pessoas nascidas entre a década de 60 até 82).
Construído em forma de diário de modo informal e fluído, o enredo é ambientado em Porto Alegre entre os anos de 1995 e 1996. O personagem central é Spit, jornalista local (alter-ego do autor) que vive momento conturbado após a término de seu namoro com Luísa. No alto de seus 22 anos ele é circundado pelo quarteto de amigos Bruna, Giovanna, João e Bel, grupo de mesma idade que age e discute ao longo da narrativa dilemas, incertezas inerentes ao universo jovem de outrora e transição para o mundo adulto, período em que a responsabilidade começa a pesar na balança.
Recheado de referências culturais da época, a obra é influenciada diretamente por clássicos da literatura moderna, tais como a do inglês Nick Hornby, escritor que conquistou o mundo via Alta fidelidade (1995), Apanhador no campo de centeio, de J.D. Salinger, e Geração X de Douglas Copland, obras que em essência captaram em minucias suas respectivas gerações.
Para leitores que como eu que nasceram na década de 80, cresceram assistindo TV e passaram a consumir (ou foram consumidos) pela cultura pop graças a inúmeros filmes, livros, o nascimento da MTV Brasil e canções de Nirvana, Pavement, Radiohead entre tantas outras bandas icônicas,  a obra em si é puro deleite.
De maneira geral esse tipo de literatura (também chamada de fast-food) é mal vista pela crítica, pois é tida como efêmera e superficial. Porém, não se engane: a mesma não deve ser ignorada. De certo modo Clube dos corações solitários cumpre um papel fundamental: alimentar a saudosa nostalgia que, por vezes, bate fundo e merece ser amparada, principalmente para aqueles que ainda se sentem conectados ao passado.
Afinal tal como consta na epígrafe do livro “Maturidade é uma fase, adolescência é para sempre” Jules Feiffer.
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