Resenha – Coraline
por Ragner
em 02/04/18

Nota:

Que Neil Gaiman é aprovado pelo pessoal do Poderoso há tempos,  não há dúvidas quanto a isso. Hoje trago até vocês a história que deu origem aos quadrinhos e a uma das animações que mais idolatro no mundo. Coraline é uma história infantil (o enredo é dedicado à criançada) que, incrivelmente, se mostra interessante para jovens e adultos. Gaiman é um mestre surpreendente no mundo da fantasia, pois conta histórias cheias de seres imaginários que facilmente podem povoar nosso inconsciente. Ele ainda mexe com temores e terrores que parecem assustar crianças, mas que pode tranquilamente deixar o público adulto assustado e isso é um traço em sua literatura que me agrada bastante.

A história é como uma fábula que tem uma linguagem particularmente simples, de fácil acesso e que não se afasta disso em momento algum, mas que ainda consegue ser deveras interessante e que mexe com nossa imaginação. Uma curiosidade ao ler o livro, foi de encontrar semelhanças com a animação (com direção de Henry Sellick, lançada em 2009)  e desde as primeiras páginas fiquei encantado, pois há. Desde a história, quanto aos diálogos. Mas acontecem mais coisas e algumas situações não aparecem no desenho no decorrer das páginas. O que não descaracteriza minha empolgação.

Coraline é uma menina que se auto intitula exploradora (já que tediosamente passa suas férias sem muito o que fazer dentro de casa, sem ter com o que ou com quem brincar), mora com os pais (que trabalham em casa) em uma enorme casa dividida em cômodos alugados. Os três dividem a casa com um senhor adestrador de ratos, que mora no apartamento acima do telhado e duas senhoras atrizes que moram no apartamento de baixo no andar térreo (mas a construção não era um prédio, era exatamente um enorme casa). Ela costuma andar pelo terreno e vasculhar o que há em volta da casa, contando todas as portas e janelas de onde mora, mas tudo muda no dia em que encontrou uma porta que não dava em lugar algum. Nada além de uma parede de tijolos.

Em uma tarde, quando sua mãe não estava em casa, a menina abre a porta sobre a parede de tijolos, mas desta vez descobre um corredor escuro e como sua curiosidade é muito grande ela segue em frente. Um apartamento bem parecido com o seu está do outro lado do corredor. Mas entre as diferenças, nossa pequena heroína encontra uma mãe e um pai com os olhos de botões e pelo terreiro (quando vai dar uma volta) um gato falante. E é aqui que começa o mundo fantástico maravilhoso bem peculiar e estranho do autor.

Coraline é surpreendente e a escrita de Gaiman é assustadoramente natural. Seu mundo fantástico não é exatamente palpável, mas mexe com nosso imaginário de uma maneira que cria tensões que nos faz recordar de coisas arrepiantes de quando eramos crianças (exemplo como o “homem do saco”, uma lenda urbana que contava sobre um homem que raptava crianças desobedientes). O livro ainda possui algumas ilustrações, que agregam ainda mais o fator estranho na fantasia (pessoas e animais um pouco tortas ou desproporcionais). Para quem se interessa pelo esquisito e fantasioso, essa história é um prato cheio.

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