Resenha – Cosmos
por Bruno Lisboa
em 04/04/18

Nota:

 

Trabalho há cerca de 9 anos na educação e uma das coisas que ouço entre os colegas é a intenção de promover a interdisciplinariedade entre os conteúdos. Mas como de boas intenções o inferno está cheio, vejo muitos colegas colocarem (ou visualizarem) diversas dificuldades e os mesmos acabam por deixar de lado este recurso tão importante, ainda que de uns tempos para cá já que vivemos, intensamente, a era dos links que facilitam estabelecer este diálogo.  Mas quem nunca em sua trajetória escolar teve aquele professor transgressor que, mesmo com as dificuldades, conseguiu mostrar que havia uma conexão em tudo e o fazia com extrema facilidade? Pois o finado Carl Sagan é um dos grandes exemplos. E Cosmos é uma grande prova disso.

Tido como um dos maiores pensadores do século passado, Sagan acumulou em seu vasto currículo as funções de cientista, astrônomo, astrofísico, professor, cosmólogo, escritor e (ufa!) consultor/roteirista já que colaborou na elaboração do roteiro de 2001: uma odisseia no espaço de Stanley Kubrick. E tamanha versatilidade acabou por influenciar a sua visão de mundo.

Lançado nos anos 80, Cosmos (tanto o livro quanto a série de TV são da mesma época) tornaram-se clássicos absolutos tamanha a qualidade impressa. Outra virtude/legado deixado é pioneirismo ao abordar com tamanha profundidade o estudo do universo, o que acabou por inspirar uma série de novos cientistas de ontem e de hoje. Não obstante, ambos trouxeram para as massas grandes reflexões sobre a vida, o universo e tudo mais (pegando carona aqui no título do livro Douglas Adams da série O guia do mochileiro das galáxias).

Em Cosmos Sagan traz à tona um apanhado de estudos teóricos, partindo desde os primeiros estudos a respeito dos cosmos até o início da corrida espacial que permitiu ao homem conhecer ainda mais sobre os planetas vizinhos. Por mais que teorias científicas possam soar complexas se pensadas na perspectiva do leitor comum, que pouco conhece sobre esta seara, o autor consegue ao longo de 433 páginas falar com tamanha naturalidade (e paixão) sobre o universo que a leitura que poderia ser dura e distante torna-se prazerosa por demais.

Ao unir ciências, inicialmente dispares, como astronomia, física, química, geologia, história, antropologia, artes, literatura e filosofia, Sagan demonstra um destreza incrível, pois consegue articular tudo de modo tão didático que chega, por vezes, causar inveja a docentes. Eu incluso.

Como não bastasse contar a história do universo partindo das origens de 15 bilhões de anos atrás, no livro Sagan perpetuou também diversas análises futuras que na época não haviam se concretizado, mas acabaram por se tornar realidade, como foi observado tempos depois, quando a tecnologia avançou e permitiu ao homem conhecer ainda mais sobre o universo.

Otimista, irônico, sagaz e visionário Sagan conseguiu em Cosmos criar uma obra atemporal que seguirá por décadas como referência mor sobre o estudo do cosmos. A mesma continuará influenciando gerações futuras que ainda tem muito a buscar e a descobrir sobre esta grande incógnita que é o universo.

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O livro foi enviado pela editora.

 

 

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