Resenha – Crônica do Pássaro de corda
por Ragner
em 17/12/18

Nota:

Crônica do Pássaro de corda é meu primeiro contato com Haruki Murakami, mas o autor já é conhecido no Poderoso. Digo que foi um contato interessante, quero ler mais a obra do escritor. Fiquei curioso para saber se os outros livros seguem pelo caminho demasiado detalhista que há nesse e conhecer mais sobre o fenômeno que sua escrita gera: Murakami é sucesso de vendas e é mundialmente premiado.

Literatura japonesa ainda é um caminho que tenho percorrido aos poucos, mas por questões óbvias – meu amor pela cultura e história – tenho me direcionado melhor e já antevejo mais entrosamento com escritores do extremo oriente.

Ao começar a leitura do livro, já me antecipei com o entendimento de que poderia se tratar de contos sobre casos aleatórios, mas estava errado. Tal concepção (por causa do título) se mostrou deveras equivocada. E com o decorrer das páginas, passei a ver o livro como uma novela, cheia de personagens, diversos acontecimentos que, inicialmente, não pareciam ter relação alguma e, assim como o tamanho do livro (um calhamaço de 767 páginas), tudo se mostrou muito maior do que eu poderia imaginar.

Toru Okada é o protagonista que nos leva a uma viagem que entrelaça acontecimentos potencialmente simbólicos, desde sumiços e encontros, até o entendimento de tempo e espaço e referências a todo instante. Há muitas situações que também são vistas como clichês. Okada vive seus dias em casa, atarefado com a rotina doméstica. Saiu do emprego em um escritório de advocacia e fica responsável pelas tarefas do lar, enquanto a esposa – Kumiko – trabalha fora. Tudo toma um rumo deveras inesperado quando o gato dela some e Kumiko pede para Okada se encontrar com uma conhecida, que o ajudará na procura pelo felino.

A procura de Noboru Wataya – o gato – que tem o nome do irmão de Kumiko provoca uma sucessão de acontecimentos que, a priori, pareciam desconectados, mas reverbera no decorrer de todo o livro e leva o protagonista a uma jornada de auto conhecimento, transformação no casamento e o confronto entre luz e escuridão (sim, tudo muito metafórico e não esclarecerei mais, para não soltar spoiler).

O livro parece meio confuso em diversos momentos, mas há bastante espaço para a resolução e isso deixa a leitura envolvente e interessante.

Sinceramente creio que não foi a melhor escolha para começar a ler Murakami. Mas gostei, o autor é mesmo bom, nada convencional e por isso vale a pena. E já estou com outro livro dele na cabeceira da cama para devorar e digo que estou ansioso. O título da obra me atrai (aguardem) e essa imersão na literatura nipônica ganha mais espaço em minha, ainda, pequena biblioteca.

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