Resenha – Da democracia à liberdade
por Bruno Lisboa
em 19/02/20

Nota:

O mundo, de modo geral, tem sofrido com as agruras do recrudescimento de governos totalitários, que se escondem por trás de ideais democráticos para todos, porém adotam práticas governamentais que acabam por manter o status quo, onde os ricos permanecem privilegiados e as minorias seguem sendo explorados em suas mais variadas esferas, resultando na eterna e malfadada luta de classes.

Mas afinal qual seria a melhor alternativa político/social para tempos tenebrosos como os nossos? Este é o ponto central da obra Da democracia à liberdade.

Escrito pelo coletivo anarquista CrimethInc, cujo autores não nos é revelado, na obra se problematizada as origens do regime democrático, partindo da Grécia antiga, até a contemporaneidade, mostrando, essencialmente, como a mesma falhou ao tentar ser a voz das massas. Mas como isto se deu?

No decorrer dos textos os autores criticam a fórmula democrática atual que se baseia na representatividade, onde se elege alguém para um cargo eletivo a partir do voto popular e daí se espera dele uma participação efetiva no jogo político, atendendo os interesses de uma maioria. E, como se sabe, raramente isto acontece, já que estando no poder muitos acabam por atender a interesses particulares e acabam atuando para os poderosos e o seu enriquecimento.

E qual seria o antídoto para o formato representativo? Para o CrimethInc a solução está na descentralização do poder, na horizontalização das relações políticas e da participação massiva popular que definiria quais seriam as pautas mais importantes.

Por mais que ações coletivas possam parecer utópicas, no segundo tomo do livro temos exemplos de movimentos anarquistas recentes como o Occupy Wall Street (EUA) e o 15M (Espanha) que por mais que não tenham conseguido causar mudanças estruturais na democracia e no sistema capitalista, conseguiram deixar um legado quanto ao real potencial existente quando o povo se une em prol de multiplicar vozes e agir de forma coletiva.

Quanto mais nos afundamos no egoísmo e na ganância, mais o anarquismo ressurge como remédio para estancar feridas e mostrar que é possível ter um estado nação mais justo e igualitário. Se estamos longe desta realidade, se faz necessária uma mudança de paradigma. Se almejamos vislumbrar algum futuro para as novas gerações o tempo é agora.

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