Resenha de Quadrinho – Badlands
por Patricia
em 13/12/16

Nota:

O assassinato de um Presidente é um momento traumático para um país, mas poucos assassinatos geraram tantas teorias da conspiração quanto o de John F. Kennedy. O jovem Presidente, boa pinta, casado com uma mulher estilosa, e primeiro Presidente católico da história dos Estados Unidos – foi alvejado em 22 de Novembro de 1963, enquanto fazia sua carreata por Dallas, no Texas.

Filmes, livros e mini-séries já foram feitos sobre as teorias que surgiram deste episódio. Até Stephen King já usou este momento histórico como pano de fundo para uma obra – Novembro de 63, já resenhado aqui no Poderoso. Por mais que a história toda seja de uma maluquice por si só, não podemos negar que o assassinato de Kennedy gerou um mito e tomou proporções gigantes. Umas das teorias da conspiração sobre este episódio diz que os responsáveis pela morte do Presidente foram os soviéticos, outras dizem que foi a CIA, tem quem diz que foi a máfia ou os cubanos e, até mesmo, o Vice-Presidente Lyndon Johnson que assumiu o país com a morte de Kennedy.

Steven Grant parte de um pressuposto muito comum nos estudiosos deste momento da História: Lee Harvey Oswald simplesmente não poderia ter cometido o assassinato de onde estava – a curva que a bala teria que fazer para acertar Kennedy no ângulo que acertou era fisicamente impossível. Outra pessoa, portanto, deve ter feito o disparo fatal. É daqui de Grant parte para nos contar sua história.

Ele nos apresenta a Connie Bremen, um ex presidiário que, quando sai da prisão, não consegue nenhum emprego decente. Em sua busca por esquecer seu passado sórdido, ele acaba atraindo a atenção de um grupo inusitado: a máfia, o FBI e a CIA o procuram para que realize trabalhos, digamos, não muito…legais. Sem opção e se sentindo encurralado, Bremen acaba aceitando. Até que ele descobre o plano final do grupo que é assassinar o Presidente e percebe que ele é o bode expiatório que todos estavam esperando. Ainda que tente sair dessa situação, ele não tem a quem recorrer.

É importante notar que, ao contrário de quase tudo feito sobre o assassinato de JFK, muito pouco disso é ficção. O livro de King é um exemplo, mas normalmente, as obras se baseiam em pesquisas e mais pesquisas sobre o que pode se encontrar do episódio. Grant tem uma proposta diferente: sua explicação para o episódio é que Oswald foi preso porque o cara que efetivamente assassinou o Presidente (Connie) fez tudo errado depois de atirar. E mais, talvez o real atirador esteja por aí ainda…

Grant, basicamente, reúne várias teorias em uma só: todos os grupos interessados na morte do Presidente se uniram para derrubar seu inimigo em comum. O que, sejamos sinceros, não seria uma surpresa absurda. No meio de tantas teorias, o que Grant oferece pode muito bem ser o mais próximo da realidade, pura e simplesmente porque não se tem quase nada oficial e definitivo sobre o que aconteceu.

O traço do quadrinho é clássico, tem um pouco de tudo, entregando uma narrativa quase de suspense policial como o autor deseja: assassinatos, erotismo e política. E enquanto a proposta é interessante e rende uma leitura rápida, muito mais poderia ser abordado sobre o tema dentro do universo que o autor construiu. O que nos resta é uma sensação de que algo está faltando na história. Uma leitura morna sobre um assunto quentíssimo e que poderia ter sido melhor aproveitado.

Postado em: Resenhas
Tags: , , ,

Nenhum comentário em “Resenha de Quadrinho – Badlands”


 

Comentar