Resenha de Quadrinhos – O Sonhador
por Ragner
em 04/09/17

Nota:

 

O célebre quadrinista Will Eisner já passou pelo Poderoso e posso dizer que gosto um bocado dos seus desenhos. Sua arte possui um traço que traduz de maneira requintada expressões e gestuais dos personagens que aparecem em cada quadrinho. Seu estilo tem um toque de realismo que é deveras peculiar, fazendo com quem lê uma Graphic Novel sua, identifica-lo sem o menor esforço. Will Eisner é único.

Dessa vez tive em mãos uma história sobre os primórdios das revistas em quadrinhos. Eisner conta aqui como deve ter sido o início da indústria das HQs. Há no prefácio informações de como tudo foi tomando forma e como os jovens cartunistas eram vistos como sonhadores cheios de esperança e ambições. Aqueles que acompanham a evolução dos quadrinhos, são capazes de identificar como tudo foi crescendo em qualidade e quantidade. Aqui notamos passagens que falam sobre o trabalho árduo de quem está à frente de uma prancheta e até sobre casos de plágio (Marvel e DC nos mostram como heróis podem ser bem parecidos). Hoje essa arte está em um patamar que, possivelmente, não era sonhado por seus idealizadores, pois naquela época o desenhista era um mero cartunista que batalhava para poder viver de seu trabalho.

Na melhor das hipóteses, a sociedade tende a considerar seus sonhadores com tolerância. 

 

O Sonhador nos apresenta Billy Eyron, que trabalhava em uma gráfica, mas sonhava em ser artista e ter sucesso na carreira que escolhesse – ser desenhista. Após recusar vender seu talento para o tipo de desenho que não lhe interessava, Billy foi despedido e passou dias tentando bicos para ilustrar anúncios ou quaisquer trabalhos onde pudesse desenvolver sua arte. Esbarrou com amigos que o levou para sindicatos, que lhe indicou revistas, mas o mercado gráfico e editorial passava por constantes altos e baixos e aquele momento era o de várias revistas fecharem.

Billy então juntou tudo o que tinha (também com a ajuda do pai) e montou seu próprio negócio. O início foi pesado, Billy era o único desenhista (não havia assistentes, somente ele e o sócio), mas enquanto o setor editorial passava por maus bocados, a ideia de revistas em quadrinhos foi tomando forma e Billy continuou sonhando, enfrentando figurões ambiciosos e outros interessados no ramo que só desejavam dinheiro.

Essa Graphic Novel me fez imaginar como o próprio Eisner trilhou seus primeiros passos e como o gênio Stan Lee precisou de horas de noites mal dormidas para conquistar seu espaço e o nome que tem atualmente. O Sonhador deixa claro como muitas idealizações e conquistas nascem com pessoas que apenas se deram a chance de sonhar.

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