Resenha de Quadrinhos – The Eagle and Buddy
por Gabriel
em 19/10/13

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Nos anos 40, os Estados Unidos passavam por uma guerra mundial e nenhum esforço poderia ser negado para que a vitória chegasse. Nesse contexto, diversos meios de entretenimento criaram personagens e atrações que se aproveitavam dessa situação e desse senso disseminado de “nós contra eles”. Um destes personagens é o Capitão América, recentemente alçado novamente a herói conhecido, devido aos filmes dos Vingadores. E outro personagem menos conhecido é o que hoje resenho, mais um encontrado no Digital Comic Museum: The Eagle.

Li as duas primeiras estórias de The Eagle número 2, que aparentemente compilava algumas das publicadas em Weird Comics, a revista onde o herói apareceu primeiro. The Eagle tem os mesmos problemas de boa parte dos quadrinhos da época, com uma dose de ingenuidade que soa fora de lugar nos tempos atuais. Mas, além disso, é um tanto sem pé nem cabeça; dá para entender porque o Capitão América, que tinha o mesmo uniforme, a mesma estória, o mesmo parceiro (tanto o capitão quanto Eagle tinham o apoio de um rapaz em seus primórdios, uma espécie de Robin), teve uma vida muito mais longa. E os furos são vários, vamos à lista: The Eagle é na verdade o capitão Powers, que trabalha na marinha americana ao lado do mesmo Buddy que o acompanha nas missões como o herói; mesmo assim, ninguém percebe que Powers e Buddy são as mesmas pessoas que Eagle e Buddy.

Além disso, Eagle e Buddy saem de suas roupas civis e passam a usar seus uniformes sempre em um quadro, automaticamente, sem nem mesmo a dignidade de usar uma cabine telefônica ou algo do tipo! Mas tem mais: a mulher de Powers aparece em todas as estórias, sempre acompanhando o seu marido e seus amigos da marinha nas missões passadas pelo governo dos Estados Unidos. Oras, porque afinal todos nós podemos acompanhar missões das forças armadas se quisermos. E de vestido e salto alto. Na floresta. E o principal: o Brasil, amigos.

Se hoje, em pleno século 21, ainda vemos filmes que se dizem “passados no Rio de Janeiro”, gravam no México e acham que vão passar impunes, imaginem na década de 40. Em uma das estórias, Eagle vai ao aeroporto receber o embaixador do Brasil, Señor Ramirez (é…). E vemos uma sequência de bizarrices enquanto os embaixadores conversam sobre como “a cooperação entre os Estados Unidos e a América do Sul nos levará a sucessos ainda maiores”.

Pode até ser, mas primeiro ajustem as configurações de idioma. The Eagle and Buddy é bem fraco, para ser sincero. Trata-se de uma propaganda de guerra com muito pouco entretenimento, vilões simplórios e mal trabalhados, uma arte que até supera algumas coisas da época (mas não impressiona) e estas gafes absurdas sobre o Brasil (sem falar em um incêndio que surge do nada em uma floresta da Flórida no meio de uma estória). Em suma, deve ter divertido algumas crianças da época.

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