Resenha – Delírio do poder
por Bruno Lisboa
em 29/01/20

Nota:

Filósofa. Professora. Escritora. Estas são apenas algumas das funções que são desempenhadas por Márcia Tiburi, uma das vozes mais relevantes do solo brasileiro.

Em sua fala, geralmente, ela faz análises pontuais sobre o Brasil contemporâneo, em especial sobre o perigoso momento em que vivemos onde se vê o ressurgimento do ideário da extrema direita na mentalidade do cidadão comum brasileiro, como já pode ser visto em Como conversar com um fascista. Visando aprofundar ainda mais mesta temática pontual, a escritora acabaria por escrever Delírio do poder, sua mais recente obra.

No livro, lançado em 2019 pela editora Record, Tiburi adota como ponto de referência a sua práxis na âmbito da política, temática que lhe é cara, mas em 2018 ela decidira ir além ao se lançar numa inédita candidatura ao governo do Rio de Janeiro em 2018 pelo Partido dos Trabalhadores, que acabaria por resultar num desgaste que colocaria sua vida em risco. Para tanto, hoje ela vive nos EUA.

Adotando uma escrita de cunho mais popular e menos academicista (visando claramente o diálogo com um público mais abrangente), na obra Márcia aborda com precisão, e com alto teor crítico, o ideário do cidadão brasileiro, que acabara por se render a falácia e barbárie.

O painel aqui desenhado é triste retrato de um sociedade delirante em busca do poder que não reconhece as suas demandas, pois tem predileção pelas fake news em detrimento ao raciocínio; que adota individualismo como regra; que pensa as minorias devam ser execradas e, como se não bastasse, pensam que a solução para estes tempos é o total abandono de pautas progressistas na política em prol de uma política excludente, que privilegie aqueles que estão estão no topo da cadeia capitalista.

Em tempos de polarização entre a esquerda e a direita, Tiburi deixa claro em Delírio do poder que a melhor solução para tempos bicudos como estes em que estamos está totalmente relacionada numa revisão do universo político, pois se faz necessário um diálogo efetivo e uma maior participação da sociedade, que ainda não compreendeu de fato a importância de entender os mecanismos que o movem.

Se o futuro nos é ainda temerário, o caminho indicando onde estamos e para onde devemos ir começa por aqui.

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