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Resenha – Distância de resgate
por Patricia
em 30/05/18

Nota:

 

Samanta Schweblin já passou pelo Poderoso com seu livro de contos – Pássaros na boca. Em quase tudo que toca a autora parece não faltar adjetivos positivos. Distância de resgate também poderia entrar nesta leva.

No interior da Argentina, Amanda e sua filha Nina, alugam uma casa para uma temporada de férias enquanto o marido de Amanda trabalha. Mãe e filha parecem ter uma ligação forte. Amanda explica o que chama de distância de resgate: o quão distante consegue ter Nina para saber que está segura. Quando algo ruim se aproxima, o “fio” que as conecta encurta, puxando a mãe para perto da filha. É uma maneira muito bela de imaginar essa relação e demonstrar o papel protetor de uma mãe. A maternidade é um dos temas centrais da história.

Nada naquela cidade é o que parece. Amanda conhece Carla, uma moradora da cidade, que vai lhe contar a história de seu filho – David. Quando tinha quatro anos, David parece ter bebido uma água contaminada e ficou à beira da morte. Em um ato de desespero, Carla o levou a uma curandeira da cidade conhecida como “a mulher da casa verde”. Essa mulher performa um tratamento que salva David…mas Carla acredita que a criança que apareceu depois não era mais seu filho.

A história é narrada por Amanda que conversa o tempo todo com David. Tentando entender o que aconteceu com ele e que depois viria a acontecer com ela, ela analisa tudo com mais detalhe e atenção – enquanto David lhe pede o tempo todo que se concentre em certas cenas, criando um senso de urgência. Falam de vermes diversas vezes, dando a entender que poderia ser a própria terra que toca a envenenar as pessoas e os animais – o que nos coloca um tema muito típico do interior da Argentina (e do Brasil, aliás): os agrotóxicos.

O talento de Schweblin para a escrita é impressionante: o leitor lê toda a novela de menos de 145 páginas quase sem respirar. O clima de suspense e a constante tensão que a autora cria fazem com que seja impossível largar a obra. Enquanto tentamos entender, junto com a protagonista, o que de fato está acontecendo, também sentimos o terror de que algo pior virá na próxima página. Toda essa atmosfera é construída de maneira magistral pela autora.

Em março desse ano, “Distância de resgate” foi anunciado como um dos finalistas para o prestigioso Man Booker Prize Internacional. De todos os indicados, era o único representante das Américas. O prêmio não veio, mas ao conhecer a escrita de Schweblin e descobrir que esta é uma de suas primeiras obras, é fácil de entender de onde vem tantos elogios. Se Schweblin é o que temos agora, a literatura latina está em excelentes mãos.

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