Resenha – Doze contos peregrinos
por Patricia
em 11/08/13

Nota:

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Bom…acho que não preciso mais explicar o quanto eu gosto de Gabo. Ele é um Divo completo!

Doze contos peregrinos é um livro que traz…bem…doze contos. (Surpresa!!) O “peregrinos” fica por conta de uma história à parte que o autor vai dividir conosco no prólogo: ele escreveu todos os contos num caderno que sumiu de repente. Ele teve que, portanto, reescrever todos os contos e revisou-os à exaustão até estarem de acordo com seus padrões e, acreditem, padrões de Gabo são altos. São gigantes. São aqueles prédios em Dubai que a gente mal consegue ver do chão. Gabo não escreve de brincadeira mesmo quando escreve brincando.

Quer ele esteja contando a história de uma prostituta brasileira planejando seu funeral na Espanha ou de duas crianças tentando fugir da preceptora alemã, o autor consegue fazer isso com uma leveza e beleza irretocáveis. Terminei o livro sem conseguir decidir qual seria meu conto preferido dos doze.

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Já havia comentado em um lista que conto é um gênero muito bom para a) leitura rápida e b) introdução a um autor que você não conhece mas quer conhecer. No caso de Gabo, seus contos são definitivamente uma forma de ajudar quem quer conhecer sobre a maneira como o autor escreve: suas veias poéticas estão aqui inegavelmente. Mas é importante lembrar que uma obra como Cem anos de solidão ou O amor nos tempos do cólera é muito mais do que apenas uma história.

Esse contos são um apanhado de coisas de uma mente que sempre vai muito além. Márquez se deixa fantasiar e escrever sobre o que bem entende, quer ele queira aprofundar-se no assunto ou não. Li um conto por dia depois de uma sessão de leitura mais intensa de outros livros – um, inclusive, sobre questões feministas que me tomaram alguns neurônios. Então, sempre que a cabeça estava um pouco cansada, um conto de Gabo serviu como bálsamo. E ainda que não esteja no mesmo nível que suas obras mais conhecidas, ainda estão acima da média de outros autores. Só por isso, o livro já vale a pena.

Essa edição específica da Record está muito bonita. Muito mais do que a anterior. Aliás, já vi que eles devem relançar o catálogo de Gabo com esse novo formato de capa. O que me dói no bolso porque agora quero todas as capas novas.

OH-VIDA-OH-CEUS

 

Enquanto eu terminava Como ser sozinho de Jonathan Franzen, ele fez um comentário sobre contos que resume exatamente o que penso sobre a importância desse gênero literário: “Gosto de contos porque eles não permitem que o autor se esconda. Não adianta ele ficar enrolando e fugindo dos problemas; eu vou chegar à última página em questão de minutos, e se ele não tiver nada para dizer eu logo vou descobrir. […] Gosto de contos porque exigem o melhor dos escritores, aquele talento de inventar novos personagens e situações para contar a mesma história.”

Se você quer começar a ler livros “fora do padrão” e que ainda assim vão ocupar sua cabeça de uma maneira inesperada, recomendo qualquer coisa com a assinatura do Gabo. Sei que já babei ovo demais, mas depois venham me dizer se não tenho razão. 😉

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1 Comentário em “Resenha – Doze contos peregrinos”


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Diaciara sales em 29.03.2020 às 21:40 Responder

Eu queria um comentário só do primeiro conto aquele do presidente por favor é um resumo de escola


 

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