Resenha – Elza, a garota
por Ragner
em 20/06/18

Nota:

Passamos por uma época de polarização política que me deixa demasiadamente interessado em ler sobre manifestações sócio-políticos-culturais. Sou um caboclo que tende à Esquerda e gosto de literatura com tal viés. Há anos li “O massacre de Praga”, que foi meu primeiro contato com o lado terrível e desumano do Comunismo e hoje resenho um outro livro que deixa claro o quanto tal ideologia partidária foi horrível em vários momentos.

Toda e qualquer ditadura é maléfica onde é implantada, independente de seu viés ideológico. Sou professor de Filosofia e sempre me posiciono quanto ao meu pensamento de esquerda. Sempre há críticas e discursos de que estou do lado de uma corja que é contra a Democracia e então me sinto na obrigação de ensinar e debater sobre o que é uma ditadura e o real significado do Manifesto Comunista. Tento ainda esclarecer que Lênin e Stalin não compartilhavam das mesmas ideias e que houve uma ditadura no Brasil que não matou somente guerrilheiros comunistas.

E com tudo isso acontecendo, tenho a grata oportunidade de ler “Elza, a garota”. O livro é baseado na história verídica de uma jovem que se relacionou com pessoas influentes do partido comunista brasileiro e que acabou sendo assassinada. O livro é pequeno, segue como literatura de romance e trás muitas informações históricas sobre pessoas que viveram na época. Inicialmente fiquei sem saber quais personagens eram ficcionais ou reais, mas os fatos (depois de pesquisar um pouco) se mostraram verdadeiros. Enquanto “O massacre de Praga” me ensinou muito sobre como a ditadura comunista destruiu a Republica Tcheca (Tchecoslováquia na época) anos depois da Segunda Guerra, “Elza, a garota” esclareceu diversos aspectos da guerrilha comunista no Brasil dos anos 30 e da Era Vargas.

O livro começa com uma apresentação discursiva sobre a idade de Elvira Cupello Colônio – verdadeiro nome de Elza – e seu relacionamento com o secretário-geral do Partido Comunista do Brasil no ano de 1935. Após tal texto introdutório, conhecemos Molina, jornalista em decadência, que encontra Xerxes (codinome de alguém que parecia próximo à Elza), um senhor interessado em contar a história da garota que foi enforcada e esquecida pelos comunistas. Xerxes propõe que Molina escreva um livro sobre os anos conturbados que da década de 30 com a Intentona Comunista, a verdade sobre como Elza fora executada pelo partido e como Luis Carlos Prestes não era o herói que todos acreditavam/acreditam.

Aqui temos um romance investigativo que serve como uma boa aula de história, com discursos de como os interesses estrangeiros influenciavam nossa política interna. Ficção e realidade ganham contornos claros, quando o autor passeia por personagens como Molina e Xerxes (ficção) e escancara o passado extremista da esquerda e a morte de Elvira (realidade com ares documentais e com ajuda de partes do texto em itálico).

“Elza, a garota” é um pequeno livro que esclarece alguns aspectos de um dos momentos mais tenebrosos de nossa História e que não poupa os “heróis” da esquerda.

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Livro enviado pela editora.

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