Resenha – Eu, robô
por Patricia
em 30/10/13

Nota:

Unknown

Um dos meus desafios pessoas de leitura esse ano envolve ler mais ficção científica porque esse sempre foi um gênero que não me atraiu muito. No entanto, tive ótimas surpresas até agora (Matadouro 5 e Os meninos do Brasil) e resolvi dar uma chance para um dos pais do gênero.

Asimov nos apresenta a um mundo diferente: robôs estão incorporados no dia a dia dos humanos de tal forma que são comprados para as atividades mais banais. Robbie é um robô-babá e passa o dia cuidando da pequena Glória. A menina é extremamente apegada ao robô e o vê como amigo. Essa é a história que nos situa no começo do mundo criado por Asimov. Os robôs eram “amigos” dos humanos, criados para ajudar. Mas as coisas estavam prestes a mudar.

A história muda então para nos apresentar Gregory Powell e Mike Donovan que trabalham em estações fora da Terra coordenando o trabalho dos robôs, seja em Mercúrio ou Plutão. Cada geração de robô era mais inteligente que a anterior e culminou em Cutie – um robô tão inteligente a ponto de começar a questionar sua própria existência – prova de que certas questões são quase inerentes aos seres racionais.

O problema é que Cutie determina que ele deve servir ao Mestre e não aos humanos já que é improvável que os frágeis humanos tenham, de fato, construído algo tão superior a eles como robôs. Cutie se diz o Profeta do Mestre e nenhum raciocínio lógico parece diminuir sua opinião – talvez uma “leve” sugestão de que não é possível argumentar contra fanáticos religiosos? Asimov maroto!

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O livro contém nove histórias narradas pela Dra. Susan Calvin – uma das figuras mais importantes na história dos robôs – que é psicóloga e parece conhecer como ninguém as nuances do cérebro de um robô. Todas as histórias nos apresentam o desenvolvimento de uma nova fase robótica – dos robôs mais simples aos mais top de linha;  – daqueles mudos e obedientes, aos que desenvolveram uma consciência própria e querem participar da sociedade em seus próprios termos. As que citei acima são as primeiras mas elas vão aumentando a complexidade à medida que novos robôs são desenvolvidos criando novos dilemas para os humanos.

A Dra. Susan Calvin foi uma pessoa tão crucial na história da robótica que ela tem uma participação importante em todas as histórias. Ela é o fio condutor e presenciou avanços impensáveis no desenvolvimento de robôs.

Apesar do assunto parecer exigir certo conhecimento técnico, Asimov nos entrega todos os componentes sem entupir o livro de vocabulário técnico – até porque, grande parte do que ele cita, ele imaginou. Então não pense que você vai encontrar uma linguagem especial para engenheiros.

A edição da Pocket Ouro conta com uma boa introdução de Jorge Luiz Calife que repassa anos de ficção científica em apenas algumas páginas mostrando-nos o papel de Asimov. De resto, a edição é boa e contém alguns erros de tradução, mas nada que destrua totalmente o que o autor quis dizer.

Como eu disse, ficção científica é um gênero que sempre foi muito sem cheiro e sem gosto para mim. Só que ler Asimov não me deu em nenhum momento a sensação de estar lendo uma ficção científica forçada. Era quase como ler um romance normal. A escrita de Asimov é tão envolvente que eu queria saber mais sobre os robôs malucos que ele criou. Ele destruiu qualquer pré-conceito que eu poderia ter com o gênero. O livro é absolutamente sensacional. Ele consegue te prender do começo ao fim com histórias que podem, muito bem, acontecer amanhã.

Se você é como eu e ainda não conseguiu dar uma chance real para a ficção científica, recomendo a leitura desse livro. Por ser dividido em histórias, a leitura é mais fácil e pode ser continuada quando o leitor quiser, mantendo seu próprio ritmo. Entrou para a minha lista de preferidos.

Quanto ao filme: não tem nenhuma comparação além do filme ter se baseado nas três leis da robótica do Asimov. Achei que ele poderia ter se baseado em uma das nove histórias do livro mas nem isso. Alguns personagens aparecem no filme também – principalmente a Dra. Calvin. Dá para entender alguma coisa do que Asimov dizia mas, claro, o livro vai muito mais a fundo e traz comentários sociais mais agressivos e instigantes.

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