Resenha – Extraordinário
por Bruno Lisboa
em 30/10/17

Nota:

 

“Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo” August Pullman 

No hall das predileções literárias a literatura infanto-juvenil não ocupa, ainda, grande espaço na minha estante. De fato, como já disse por aqui, biografias são as minhas leituras prediletas, mas volta e meia gosto de saber o que meus alunos (sim, sou professor) estão lendo. E certo dia fui apresentando a Extraordinário e a partir dai fui tirar a prova para tentar entender este fenômeno literário.

Escrito por R.J. Palacio, o livro é fruto de um trabalho de longa espera já que Palacio foi designer gráfica e diretora de arte por duas décadas antes de se arriscar no universo da literatura, no caso com este Extraordinário.

O enredo gira em torno de August, um garoto que poderia ter uma vida comum se não fosse por um raro problema: a síndrome de Treacher Collins, responsável por tornar o seu rosto deformado. Durante a infância Auggie, devido ao problema facial, convivera com poucas pessoas e passava grande parte do tempo em casa com seus pais e a irmã. Porém, ao completar 10 anos o garoto passa a encarar aquele que seria o maior desafio de sua vida: abandonar a redoma de vidro domiciliar e começar a frequentar uma escola tradicional.

Dividido em capítulos curtos, a narrativa é desenvolvida através de perspectivas de cada um dos personagens centrais (amigos próximos, pais e a irmã), narradas em primeira pessoa, que conviveram com August e vivenciaram o dilema do garoto de se inserir num mundo que não consegue lidar com as diferenças. Apesar da adversidade,  Auggie se demonstra inicialmente inseguro, mas vai no decorrer da história demonstrando maturidade impar, mesmo para uma criança. Sua perseverança, pouco a pouco, conquista quem está ao seu redor.

“Mamãe e papai também não me acham comum. Eles me acham extraordinário. Talvez a única pessoa no mundo que percebe o quanto sou comum seja eu.” August Pullman  

O mundo atual segue cada vez mais careta, reacionário, preconceituoso, de tal modo que parece ser impossível remediar e acreditar na mudança, mas uma história tão simples e envolvente, como Extraordinário o é, não só serve para a inclusão no ambiente escolar. O mesmo também deixa claro que acreditar em si e enfrentar os problemas de frente contribui (e muito) para mudarmos o que deve ser mudado.

Extraordinário ganhará versão para o cinema. Com direção de Sthephen Chbosky (As vantagens de ser invisível) e Owen Wilson, Julia Roberts , Jacob Tremblay e Sonia Braga no elenco, o longa que será lançado em novembro deste ano.

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