Resenha – Fima
por Juliana Costa Cunha
em 21/03/18

Nota:

 

Fima, título do livro e apelido de seu personagem principal, faz referência ao rito de circuncisão realizado pelos Judeus. Este foi meu primeiro contato com a obra Amós Oz, que é natural de Jerusalém (1939) e reconhecido mundialmente por seu ativismo político em busca da paz, sendo fundador do movimento Israelense Paz Agora.

Fima mora em Jerusalém e é um cara que tem tudo para dar certo na vida, mas vive no limbo. Mora só, num apartamento sujo. Vive conjecturando a solução para a situação política entre israel e palestina, fazendo grandes discursos para seus amigos. Ele é historiador, mas trabalha como recepcionista numa clínica ginecológica.

Apesar da vida solitária que leva, vive cercado de amigos que tentam ajudá-lo e compreender suas questões e que tem uma atitude condescendente com ele. Fima é o cara que sempre chega sem avisar e fica. Diz que vai levar só um minuto e passa horas.

Este é um dos personagens mais irritantes que já me deparei na literatura. É arrogante na sua inércia. Pedante na sua solução para os problemas mundiais. Explorador das amizades que conquistou ao longo da vida. Um machista insuportável.

As passagens da estória na qual se davam as relações dele com mulheres, me deram asco. O personagem é tão altruísta (leia com sacarmo esta passagem, por favor) ao ponto de achar que faz grandes favores sexuais às mulheres com as quais convive. Vai por mim, não é bem assim não!

Este ser egocêntrico que acabei de relatar me fez querer desistir de ler o livro por várias vezes. Mas não consegui. E aí é onde penso estar a grande sacada do livro. Ele foi feito para ser intragável. Fima existe para que nós tenhamos raiva dele.

E se a gente pensar assim, esse livro é muito bom. A força narrativa de Amós Oz é bem presente. Lerei outro livro dele, sim! Mas espero não encontrar mais com Fima.

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