Resenha – Garotas de vidro
por Patricia
em 17/02/14

Nota:

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Garotas de vidro aborda um tema assustador para as mulheres, principalmente: olhar no espelho e não ver o que quer (no meu caso seria Mônica Belluci). Enquanto para algumas pessoas o espelho reflete algo aceitável, para outras pode ser fonte de crises que resultam em uma intensa rejeição do próprio corpo. Lia Overbrook, a personagem principal de Garotas de vidro, está na segunda categoria.

A história começa de maneira intensa: Lia acaba de saber que sua melhor amiga de infância, Cassie, foi encontrada morta em um quarto de motel. Apesar da amizade entre as duas ter esfriado, Lia sente o baque ainda mais forte quando descobre que, antes de morrer, Cassie ligou para ela. Trinta e três vezes.

A partir de então, vamos acompanhar Lia chegar ao fundo do poço. Seu distúrbio alimentar está no limite, na fronteira – como ela diz – e ela está quase caindo do outro lado. Enquanto sonha em diminuir seu peso ideal cada vez mais (que começa com 40kg e vai caindo), ela mente, tapeia e disfarça para que a família não perceba que após duas estadias em hospitais e um longo tratamento psicológico ela não melhorou. Muito pelo contrário.

O livro é todo contado do ponto de vista de Lia e, como leitores, temos uma perspectiva interessante sobre suas batalhas. Acompanhamos de perto enquanto ela tenta resolver seus problemas com a morte de Cassie, com o divórcio dos pais, com os amigos (ou falta de) e com o próprio corpo. Mas isso parece ser pesado demais para alguém tão franzino. Ela odeia seu corpo e também acaba infligindo dor para sentir alguma coisa, qualquer coisa que não seja desgosto. A apatia com que ela vê a vida só é amenizada por sua meia irmã mais nova, Emma. 

Aliás, no livro há frases censuradas (foto abaixo) que mostram que Lia se policia o tempo inteiro, controlando os menores instintos de sobrevivência do seu corpo e aqueles pensamentos sinceros que ela prefere esconder. Quem aguenta viver assim em nome de uma beleza inalcançável?

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A história de Garotas de vidro toca em alguns pontos importantes da nossa viciada sociedade:

Acho muito importante que livros “jovens” tratem de assuntos que afligem esse público porque nem sempre os pais dão conta de tudo – e isso não é uma crítica aos pais. Outro documentário que já citamos aqui também é o Miss Representation (na resenha de Feios). Vale a pena dar uma olhada nesse filme para entender como a “ditadura da beleza” tem afetado meninas e mulheres das mais diferentes idades e dos mais diversos jeitos em todos os lugares (o foco do documentário é a mídia norte-americana mas não é difícil traçar um paralelo). Esse não é um assunto leve; não é um assunto divertido, mas é algo que precisa ser mais falado. 

Lia é anoréxica e Cassie era bulímica. Em pouco menos de 300 páginas, temos uma visão assustadora e real dessas duas doenças. Laurie escreve muito bem e sabe exatamente quando acrescentar aquela pimenta extra para deixar o leitor ansioso ou nervoso ou triste ou tudo isso junto. É impossível ler esse livro e não entender perfeitamente como Lia se sente porque ela representa um extremo, claro, mas adequando as medidas, ela também mostra um pouco daquilo que todo mundo sente quando olha no espelho ou passa os olhos por uma revista de moda: aquela sensação de que você não é igual.

Ser diferente não é nada negativo. O problema é quando esse sentimento é levado ao limite como acontece com tantas meninas atualmente. O livro traz à tona inseguranças, medos e aflições em uma estrutura bem limpa e fácil de seguir.

Li esse livro para o Desafio do Tigre de Fevereiro. O tema era “julgando pela capa” e escolhi esse porque acho a capa lindíssima e, como não li sinopse e nem a quarta capa, realmente não sabia o que esperar. Foi uma excelente surpresa.

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