Resenha – Grande Hotel
por Gabriel
em 21/03/15

Nota:

Grande HotelE seguimos na missão de ler mulheres! Dessa vez com um clássico da austríaca Vicki Baum, escrito quando a autora vivia em Berlim, no início da década de 1930.

Grande Hotel é a primeira obra de sucesso da autora e foi escrita no clima vigente entre as duas grandes guerras. A organização geral da obra seria seguida por Baum na maioria de seus romances posteriores: diversas tramas se desenrolando em paralelo em um só lugar.

No caso de Grande Hotel, a trama não poderia se passar em outro lugar além do que dá título ao livro, um fictício hotel de luxo na capital alemã. O estabelecimento serve de local de passagem e de hospedagem definitiva de uma série de tipos humanos diversos, que são a vida desse roteiro.

Se levarmos em conta a idade desta obra, o roteiro continua extremamente atual. Seria possível adapta-lo e utiliza-lo ainda hoje no cinema, por exemplo (bastando adicionar alguns celulares e wi-fi nos quartos de hotel). Tratam-se de pessoas com perfis totalmente diferentes se encontrando em um mesmo espaço físico e vendo suas vidas se cruzarem. Temos a bailarina decadente, o nobre charmoso e misterioso, o diretor de empresa, o doutor, a secretária e o simples funcionário vindo do interior, a única figura destoante do cenário.

O ritmo da obra é bem mantido, com o leitor acompanhando cada passo dos diferentes personagens de forma alternada. Em alguns momentos Vicki Baum volta alguns instantes no tempo para sincronizar o andamento dos personagens, mas o faz com habilidade e cuidado bastantes para que o leitor nem sequer sinta a mudança. De forma geral, os locais são descritos com riqueza de detalhes, mas sem exagero; e os personagens têm seus perfis psicológicos bem explicitados, mesmo que não descritos pela autora (e sim em suas ações). Todos eles são muito convincentes, ainda que uma ou outra ação passem por uma certa ingenuidade aos nossos olhos de 80 anos depois, mais acostumados à ficção e a esperar talvez determinados comportamentos das pessoas – o encontro entre a bailarina e o nobre é um episódio bem difícil de imaginar acontecendo, mas Baum o descreve de uma forma que passa credibilidade.

Grande Hotel é um belo livro. Não tem grandes diferenciais, não traz nenhum ponto específico que possa ser destacado, mas é no geral uma obra consistente e agradável de ler, além de contar com personagens muito bem criados. Com certeza uma leitura recomendada.

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