Resenha – Homens elegantes
por Bruno Lisboa
em 10/01/17

Nota:

Samir Machado de Machado é um escritor gaúcho nascido em 1981. Sua carreira começou a ganhar status quando publicou a novela O professor de botânica (2008), finalista do Prêmio Açorianos de Literatura, e o romance Quatro soldados (2013), obra que lhe rendeu a atenção e elogios da mídia especializada. Um das qualidades mais citadas de sua escrita é a rica e meticulosa caracterização que em muito acrescentam às suas narrativas de aventura com doses de romance e suspense. E em Homens elegantes (Rocco), seu mais recente trabalho, o autor mantém em voga o seu estilo.

Ambientado na Londres do século 18, Homens elegantes é fruto dos resquícios de pesquisa que o autor buscou para escrever o seu romance de estreia. De maneira acertada, Machado consegue de maneira fidedigna reconstruir a cidade que na época vivia um período de eferverscência cultural e de mudanças sociais.

No enredo temos como ponto central um soldado brasileiro chamado Érico Borges que viaja para a Inglaterra, a mando da coroa portuguesa, para investigar sobre as origens de um carregamento pirata de livros eróticos que chegara a encosta brasileira. A medida em que trama avança, Érico se depara com um grande esquema de conspiração coordenado por Conde de Bolsonaro.

Construído a partir de referências da cultura pop, o herói da narrativa nada mais é do que um hibrido entre 007 e Indiana Jones já que é exímio lutador, fisicamente belo, um corajoso espião, mas tem como contraponto interessante ao universo masculino de ambas as referências: uma homossexualidade declarada.

Outro ponto interessante a ser ressaltado é a atemporalidade impressa pelo autor. No âmbito das relações humanas, por exemplo, Machado traça o perfil de uma sociedade cujos valores eram ligados ao racismo, ao elitismo e ao machismo. E para combater esta visão, ainda tão presente nos dias atuais, o autor faz de seus personagens centrais ou coadjuvantes (tal como Maria, Gonçalo e o próprio Érico) um ato de manifesto contra os maus costumes já que lutam no decorrer do enredo para manterem suas essências num mundo preconceituoso.  Não obstante, a esfera política brasileira da época também é citada durante a obra e é facilmente adaptável e visível nos nossos tempos tamanha a semelhança do contexto caótico de ontem e de hoje.

Como único porém a obra tem como demérito descrições excessivas que perpassam por toda a obra. Por mais que seja um recurso necessário para a ambientação, o uso demasiado faz com  Homens elegantes perca, em alguns momentos, a fluência das ações da narrativa tornando a obra um autêntico calhamaço de 574 páginas. Um tratamento melhor nesse sentido tornaria a já agradável leitura algo ainda melhor.

Recentemente a obra teve os direitos para o cinema adquiridos pela RT Features e nas mãos de um bom diretor e elenco renderá um ótimo filme.

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O livro foi enviado pela editora.

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