Resenha – I’ll be gone in the dark (Eu terei sumido na escuridão)
por Patricia
em 08/05/19

Nota:

Já comentei algumas vezes aqui o quanto gosto de não ficção. Tanto, que dediquei um mês inteiro de leitura esse ano ao gênero. Outro assunto que gosto muito são obras baseadas em crimes reais. Posso passar horas vendo documentários sobre casos reais, julgamentos e etc. Quando eu era criança, séries sobre advogados eram algumas das minhas preferidas.

“I’ll be gone in the dark” de Michelle McNamara uni bem a escrita da não ficção com a apresentação de crimes reais. Lançado no Brasil pela editora Vestígio com o título “Eu terei sumido na escuridão”, o livro chamou a atenção dos leitores por ter uma relação inusitada entre autor e objeto de estudo.

Um(x) autor(x) de não ficção, normalmente, estuda o assunto com profundidade. Se aprofunda no tema, entrevista pessoas e etc. Porém, McNamara tinha uma clara obsessão pelo assassino que perseguiu durante anos. Mas vamos voltar ao começo.

Sacramento, capital da Califórnia, foi aterrizada nas décadas de 70-80 por inúmeros crimes. De roubo a estupros, a cidade parecia largada às traças e aos bandidos. A cada crime, porém, os policiais perceberam que havia um certo….estilo…que se repetia em cada cena. Monitorando os crimes que não paravam, entenderam que havia um criminoso prolífico na cidade. Mais do que isso, ele também era cuidadoso e detalhista.

O homem que ficou conhecido como Night Stalker era mais do que apenas um bisbilhoteiro. Ao estudar as casas de suas vitimas, ele analisava o que podia ser roubado. Ele parecia estudar a casa e suas vítimas com atenção especial à rotina dos moradores. Porém, em vez de buscar o momento em que não havia ninguém em casa, ele entrava na madrugada porque queria mais do que roubar. No começo, ele estuprava as mulheres e buscava mulheres que moravam sozinhas.

Com o tempo, ele evoluiu para casais. Ele fazia a mulher amarrar o homem e a estuprava em outro cômodo também amarrada. Depois de deixar algumas vítimas sobreviver, ele percebeu que precisava resolver o assunto na hora do crime para que não o pudessem descrever.

Atuando em algumas outras cidades por um período de 10 anos, o estuprador e assassino em série tem uma matemática insana: mais de 10 assassinatos e 50 estupros. Nos 30 anos seguintes, ele sumiu do radar e tudo o que a polícia tinha sobre os casos esfriou.

Michelle McNamara era escritora e seu tema principal era crimes reais. Seu blog, True Crime Diary, se tornou uma fonte de informações para fãs de crimes reais não resolvidos. De todos os casos que ela cobriu em seu blog, um se tornou seu foco principal: o homem que ela chamou de Golden State Killer.

Unindo informações obtidas em fóruns de debate sobre crimes, se aproximando de policiais aposentados que trabalharam nos casos e analisando dados por conta própria, ela tentou encontrar a identidade do criminoso.

O livro nos leva por essas pesquisas, bem como pelo interesse da autora em descobrir tudo o que podia sobre os casos. Ela vai, até mesmo, visitar locais onde crimes ocorreram décadas antes. A obra resulta em uma busca ansiosa e minuciosa. Às vezes frustrante e às vezes cansativa.

Em 2016, McNamara morreu enquanto dormia e o livro ficou incompleto. Alguns capítulos foram finalizados pelos editores ou por parceiros de pesquisa da autora. Em 2018, o Golden State Killer foi preso. Aos 72 anos, ele aguarda julgamento.

Em “I’ll be gone in the dark” temos um livro difícil de largar, possível de ler em pouco tempo justamente por carregar o leitor sem piedade pelos crimes e intenso interesse da autora no homem por trás deles. De tirar o sono.

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