Resenha – Jantar Secreto
por Ragner
em 08/02/17

Nota:

 

Assim como em filmes, sou fascinado pela construção instrutiva a priori do que se trata a história, ali nas primeiras cenas…nesse caso…primeiras páginas.

Esse é meu primeiro livro de Raphael Montes e sei que já quero deveras ler outros desse autor carioca. Confesso que tenho um certo distanciamento de histórias ambientadas no Brasil. Sinceramente não sei explicar o porque, mas tirando o Jô Soares e agora o Raphael, livros que versam sobre ruas e esquinas brasileiras, ainda não tomam tanto espaço da minha, ainda, pequena biblioteca.

Posso dizer, sem medo, que Jantar Secreto figura entre os livros que quero deixar ocupando espaço em uma sessão especial do meu “universo literário”. Sou fã de John Grisham, Harlan Coben e Stephen King, entre outros, claro, mas esses três possuem estilos de escrita que me prenderam absurdamente em alguns livros. Foi o que aconteceu em Jantar Secreto.

A história aqui é a de 4 amigos que saíram do interior do Paraná e foram para o Rio de Janeiro, para morarem juntos e estudar. Cada um sendo aprovado em um vestibular, tentando vencer na cidade grande. Temos Dante que cursou Administração; Miguel que faz residência em medicina; Hugo que é chef de cozinha e Leitão, que desistiu de terminar a faculdade de Computação. Todos com sonhos maravilhosos, mas que com o tempo, percebem que nem tudo são flores. Dante trabalha como um frustrado em uma livraria, insistindo em acreditar nos mantras lidos em livros de auto-ajuda, Miguel vive entre turnos e plantões, longe do seu ideal médico, Hugo é um gênio da cozinha, mas também é estúpido e extremamente orgulhoso, o que o faz pular de restaurante em restaurante, sem o reconhecimento que gostaria e Leitão vive de maneira morbidamente obesa, entre jogos e pornografia online.

O enredo é contado por Dante. Temos aqui a versão da história interpretada em primeira pessoa, como um depoimento elucidativo de sua vivência na capital carioca. Dante narra como os quatro foram para a Cidade Maravilhosa e como os sonhos de todos foram despencando ladeira a baixo. Até a construção de uma ideia que poderia tira-los do buraco e fazer com que seus problemas acabassem. Mas é aí que o que parece pior, pode apresentar realmente uma épica transformação, para depois mostrar que tudo que está ruim…piora muito ainda. Aquilo que começa com um erro humanamente destrutivo, não tem como dar certo no final.

O quarteto do interior Paranaense está em débito com o aluguel. Leitão, o responsável por repassar a grana para a imobiliária, acaba gastando todo o dinheiro. Para tentarem resolver o problema, Hugo dá sugestão de fazerem jantares secretos. Jantares onde pessoas que não se conhecem são registradas em um site que apresenta opções culinárias para apreciadores de boa comida. Leitão, o perito em computação, faz o registro para um primeiro jantar, mas em um momento delirante, descreve que no cardápio haveria carne humana. Os outros três se assustam com a ousadia do amigo e tentam rapidamente cancelar ou retirar a proposta do ar. Porém…o que nunca imaginavam, é que algumas pessoas pareciam dispostas a participar do jantar, mesmo que tivessem de pagar uma grana alta.

O jantar acontece, pessoas poderosas se envolvem e um caminho sem volta toma proporções gigantescas. Os amigos se transformam e tudo vai saindo do controle. Assim como um vertiginoso ápice que se apresenta à frente dos jovens cheios de sonhos, a queda é causadora de arrepios e pesadelos. Os jantares secretos ultrapassam dimensões regionais e quem se envereda na tentativa de desbaratar todo o esquema, gastronômico, enriquecedor, acaba sumindo do mapa ou tendo um destino aterrorizante.

Raphael Montes escreve como um gênio. Para quem curte o gênero e aprecia um enredo tenso, o livro é um prato cheio (desculpem o trocadilho…mas não resisti). A cada capítulo (até mesmo parágrafos) há um gancho perspicaz e instigante para o que vem logo em seguida. A narrativa não perde a intensidade do que vai acontecendo e todas as explicações são dadas no devido tempo. Nada do que é apresentado é em vão, tudo ganha significado e posso dizer que me senti em um livro do Conan Doyle em alguns momentos, pois depois de ir entendendo o que parecia sem sentido, o que poderia não ter razão, se fez importantíssimo para o contexto geral. LIVRÃO.

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Livro enviado pela editora

 

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